Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Estudo explica por que os cometas tem a “cabeça” verde brilhante

Estudo explica por que os cometas tem a "cabeça" verde brilhante

Compostos por gases congelados, rochas e poeira, cometas são restos da formação do sistema solar, que ocorreu há cerca de 4,6 bilhões de anos. Como os corpos gelados aquecem muito rapidamente à medida que se aproximam do Sol, o gelo sólido se transforma diretamente em gás por um processo chamado sublimação, que produz um brilho esverdeado quando as moléculas de gás interagem com a radiação emitida pelo sol.

No entanto, essa coloração aparece apenas ao redor da cabeça de alguns cometas, e nunca em suas caudas. Um novo estudo da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW) em Sydney, na Austrália, pode finalmente revelar o motivo por trás disso.

Ao usar uma câmara de vácuo e lasers, os pesquisadores envolvidos no estudo foram capazes de recriar a reação química que ocorre quando a radiação ultravioleta do Sol quebra um composto chamado carbono diatômico (também conhecido como dicarbono ou C2). Essa reação faz com que os corpos gelados pareçam verdes. 

Chamado de fotodissociação, esse processo foi originalmente teorizado pelo físico Gerhard Herzberg na década de 1930, mas vinha sendo difícil de ser testado até agora. Isso porque o dicarbono, que é composto por dois átomos de carbono, é altamente reativo e instável. Ele só é encontrado em ambientes extremamente energéticos ou de baixo oxigênio, como estrelas, cometas e o meio interestelar. 

Segundo o estudo, o dicarbono não pode existir em um cometa até que ele se aproxime do Sol, que aquece sua matéria orgânica, fazendo com que ele evapore e entre no coma, que é o envelope gasoso ao redor do cometa. Então, a luz solar quebra as moléculas orgânicas maiores, criando o dicarbono.

À medida que um cometa se aproxima ainda mais do Sol, a fotodissociação quebra o dicarbono fresco antes que ele possa se mover para muito longe do núcleo, ou cabeça, do cometa. 

Compartilhe