Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Privada de 2,7 mil anos mostra que a elite de Jerusalém tinha doenças intestinais

Privada de 2,7 mil anos mostra que a elite de Jerusalém tinha doenças intestinais

Cientistas da Universidade de Tel Aviv, em parceria com a Autoridade de Antiguidades de Israel, encontraram uma privada de 2,7 mil anos em uma casa nobre onde, segundo novo estudo, seus residentes sofriam de doenças intestinais infecciosas.

De acordo com o achado, além do ‘proto-vaso sanitário’, foram encontrados restos de ovos de quatro parasitas do intestino – felizmente, todos fossilizados: nemátodos (a família das lombrigas), cestodes (classificação das solitárias), Trichuris trichiura (o popular “verme do chicote”) e oxiúros. Todos eles trazem problemas intestinais, como tricuríase e teníase, para citar dois exemplos.

A equipe liderada pela Doutora Dafna Langgut, diretora do laboratório de Arqueobotânica e Ambientes Antigos na Universidade de Tel Aviv, coletou amostras do solo na área onde a privada foi encontrada, e assim identificaram os causadores das doenças intestinais.

Isso porque, logo abaixo da instalação da privada, ficava a latrina onde os dejetos humanos eram depositados. Depois, as amostras de solo foram analisadas em laboratório, onde os ovos dos parasitas foram devidamente extraídos e identificados.

“Esse achado traz uma observação de um dos períodos mais antigos de Israel até hoje”, disse a Dra. Langgut. “Esses ovos são duráveis e, sob as condições especiais oferecidas pela latrina, sobreviveram por 2,7 mil anos. Parasitas intestinais causam sintomas como dores abdominais, náuseas, diarreia e coceira anal. Alguns deles são especialmente perigosos para crianças, podendo levá-las à subnutrição, atrasos de desenvolvimento, dano sistema nervoso e, em casos mais extremos, morte”.

A especialista especula duas possíveis causas para a presença de parasitas do tipo na região: a primeira é a condição sanitária pobre que levou à contaminação da comida e da água da região por matéria fecal. A segunda é uma falta generalizada de conhecimentos sanitários básicos e higiene, como lavar as mãos após usar o banheiro ou antes de comer.

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