Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Espaçonave chinesa detecta água na superfície da Lua

Espaçonave chinesa detecta água na superfície da Lua

Segundo um estudo liderado pelos Professores Lin Yangting e Lin Honglei, do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências (IGGCAS) e publicado na última sexta-feira (7) no periódico Science Advances, o módulo de pouso da missão chinesa Chang’e 5 detectou sinais inconfundíveis da presença de água na superfície lunar, marcando a primeira vez que isso é feito “in situ”, ou seja, no local.

Vários estudos e observações feitos a partir da órbita na última década apontavam a presença de água, na forma de H₂O ou Hydroxyl (OH, combinação de uma molécula de oxigênio com uma de hidrogênio) na superfície lunar. Mas os mesmos resultados nunca haviam sido obtidos por análises diretamente no solo.

A missão Chang’e 5 teve como objetivo coletar amostras do solo lunar e enviá-las de volta à Terra. Para isso, ela era composta de um módulo orbital (Orbiter), um módulo de pouso (Lander), um módulo de ascensão (Ascender) e uma cápsula de retorno (Returner).]

O módulo de pouso chegou à superfície da Lua em 1º de dezembro de 2020. 1,7 Kg de amostras foram coletadas e transferidas para o módulo de ascensão, que decolou em 3 de dezembro. Em 5 de dezembro ele se reencontrou com o módulo orbital, que transferiu as amostras para a cápsula de retorno e iniciou a jornada de volta à Terra. Ao passar por nosso planeta o módulo orbital ejetou a cápsula, que pousou no interior da Mongólia em 16 de dezembro de 2020.

Segundo o site Phys, enquanto coletava amostras o módulo de pouso usou um instrumento chamado espectrômetro mineralógico lunar (LMS) para fazer uma análise espectral do regolito (solo lunar) e de uma rocha. Após compensar a emissão de calor da superfície lunar, que poderia distorcer os dados, os cientistas encontraram “sem sombra de dúvida” absorção espectral na faixa de 2,85 micrômetros (µm), condizente com o esperado para a presença de água.

Os dados apontam uma quantidade de água no solo lunar de 120 partes por milhão, o que é consistente com a implantação solar: ou seja, moléculas de água são carregadas pelo vento solar e ficam presas no solo.

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