
A agência espacial norte-americana (Nasa) estimava que o telescópio espacial James Webb (JWST), conforme originalmente projetado, teria combustível (uma mistura de hidrazina e tetróxido de dinitrogênio) para operar por 10 anos. Esse combustível é usado na jornada até seu destino no espaço, uma órbita ao redor do Ponto de Lagrange L2 entre o Sol e a Terra, bem como nas manobras usadas para a manutenção desta órbita durante seu funcionamento.
Essa “vida útil” era uma estimativa, e a autonomia real dependeria de quanto combustível seria necessário para levar o observatório da órbita terrestre, onde foi colocado por um foguete europeu Ariane 5, ao ponto L2. Quanto mais preciso fosse o foguete ao colocar o telescópio na posição correta em órbita, menos combustível seria necessário para corrigir sua trajetória a caminho de L2, e mais sobraria para a operação do JWST a longo prazo.
Due to the precision of our launch and our first two mid-course corrections, our team has determined that Webb should have enough fuel to allow support of science operations for significantly more than a 10-year science lifetime! 💫 https://t.co/1e3sWlynPI pic.twitter.com/yb4Oe6dnwj
Quatro dias após o lançamento, que ocorreu em 25 de dezembro, a Nasa já havia anunciado que graças à precisão do foguete Ariane 5, foi necessário menos combustível que o esperado para as manobras de correção de curso, e que o JWST poderia operar por “significativamente mais tempo” do que planejado. Mas quanto é isso?
O mistério foi revelado no último sábado (8): segundo Mike Menzel, engenheiro de sistemas da missão para o telescópio Webb, o JWST tem combustível para 20 anos de operação, ou seja, o dobro do originalmente esperado. Isso permitirá que a Nasa cancele os planos para uma cara, e arriscada, missão de reabastecimento que estava sendo considerada para o futuro.
O bom desempenho do foguete não foi por acaso. Em entrevista ao “The Interplanetary Podcast” o gerente de programa do Ariane 5, Ruedegar Albat, afirmou que embora os foguetes sejam intercambiáveis, os técnicos e engenheiros sabem quais componentes estão sendo usados em cada um, e se certificaram de escolher “os melhores dos melhores” para o lançamento do James Webb.
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