
Em setembro, durante o ‘Dia da Bateria’ da Tesla, Elon Musk fez muitas promessas. Uma das mais significativas é a ideia de produzir um carro elétrico que funciona com baterias com ânodos de silício puro. Isso faria com que, além de aumentar o desempenho dos veículos, o cobalto presente nos cátodos fosse reduzido, fazendo com que, consequentemente, o preço caísse.
No entanto, as ideias não param por aí. O empresário citou uma tecnologia que faria a bateria ser integrada ao chassi, uma ideia que, segundo Musk, deve diminuir o peso do carro em 10%. Ele citou a iniciativa como uma “revolução” na engenharia – mas para alguns pesquisadores, a ideia parece muito com o passado.
“Ele está essencialmente fazendo algo que fizemos há dez anos”, diz Emile Greenhalgh, cientista de materiais do Imperial College of London. Atualmente, ele é um dos maiores especialistas do mundo em baterias estruturais, uma abordagem de armazenamento que elimina a fronteira entre a bateria e o objeto que ela alimenta. “O que estamos fazendo é ir além do que Elon Musk tem falado. Não há baterias embutidas. O próprio material é o dispositivo de armazenamento de energia”, completa.
Hoje, como acontece com os smartphones, as baterias são parte substancial dos carros. Isso porque são responsáveis por grande parte do peso. Estima-se que a bateria de um veículo elétrico é responsável por um terço de seu peso.
A ideia de Greenhalgh e seus colaboradores vai além. Para eles, a abordagem mais promissora é descartar a bateria e usar a própria carroceria do veículo para guardar energia. O armazenamento elétrico acontece nas finas camadas de materiais que compões a estrutura do carro. Se considerarmos isso, o peso das baterias pode ser eliminado quase completamente.
“É fazer com que o material faça duas coisas simultaneamente”, diz Greenhalgh. Essa nova maneira pode fornecer enormes ganhos de desempenho e melhorar a segurança porque não haverá milhares de células inflamáveis de alta densidade dentro dos carros.
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