Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Cientistas mapeiam potencial para existência de água líquida em Marte

Cientistas mapeiam potencial para existência de água líquida em Marte

Pesquisadores do Observatório Konkoly, em Budapeste, na Hungria, desenvolveram um modelo para analisar o potencial para o afloramento de água líquida na superfície de Marte. De acordo com os resultados, as horas da noite e da manhã durante a primavera e o verão marcianos poderiam ser os momentos ideais para o processo ocorrer, com condições mais favoráveis no hemisfério norte do planeta. 

Bernadett Pál, estudante de pós-graduação do Centro de Pesquisa em Astronomia e Ciências da Terra da Rede de Pesquisa Eötvös Loránd, é a principal autora do estudo (publicado na revista científica Icarus) junto ao professor Ákos Kereszturi. Eles examinaram o quão efetivamente os sais higroscópicos, que têm capacidade de absorver vapor de água da atmosfera, entram em soluções para formar salmouras.

Uma das características que procuramos ao buscar a vida (como a conhecemos) fora da Terra é a água líquida. Marte já teve maiores quantidades de água líquida, mas devido à sua menor gravidade e à falta de campo magnético global, grandes volumes escaparam para o espaço. 

Agora, a água restante no planeta está presente principalmente nas formas de vapor de água e gelo. Por causa do frio (-60°C em média) e da baixa pressão do ar, mesmo que o gelo derreta, ele sublima rapidamente — transformando-se em vapor — em vez de permanecer como um líquido estável na superfície.

No entanto, segundo os cientistas, soluções salgadas podem permanecer líquidas a temperaturas muito mais baixas. Percloratos, que auxiliam o processo de liquefação, foram encontrados pela sonda estacionária Phoenix e, posteriormente, pelo rover Curiosity. 

Durante esse processo, chamado de deliquescência, o sal absorve vapor d’água suficiente da atmosfera para se transformar em uma solução líquida. Vários projetos de pesquisa laboratorial na Terra estudam a deliquescência, que é importante em muitas áreas: da ciência alimentar à agricultura.

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