Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

União Astronômica Internacional abre escritório de combate ao lixo espacial

União Astronômica Internacional abre escritório de combate ao lixo espacial

Um novo front de combate ao lixo espacial foi inaugurado pela União Astronômica Internacional (IAU) — a maior autoridade do mundo em astronomia —, que anunciou na última segunda-feira (7) a criação do “Centro para a Proteção do Céu Noturno e Silencioso da Interferência de Constelações de Satélites”.

O escritório será operado pela IAU em conjunto com o NOIRLab, nos EUA; e o Square Kilometer Array Observatory (SKAO), baseado no Reino Unido. Todas as organizações envolvidas afirmaram, em comunicados separados, que seus projetos futuros serão negativamente impactados pelo aumento irrestrito de mega constelações de satélites na órbita da Terra.

A criação do centro é uma clara oposição a projetos de magnitude massiva — como a rede de internet via satélite Starlink (SpaceX), o “logo-a-ser-lançado” Projeto Kuiper (Blue Origin) e também a OneWeb, que conta com seu próprio produto no ramo.

Especialistas vêm alertando sobre os problemas do crescimento sem precedentes do volume de satélites comerciais posicionados em órbita. Em abril de 2021, a própria Starlink foi mencionada por nome por astrônomos, que afirmavam que seus satélites estavam deixando o céu “mais brilhante”, dificultando observações de eventos e corpos espaciais.

Isso é interessante especialmente ao SKAO e ao NOIRLab: o primeiro será o maior observatório astronômico já criado e situado em dois locais distintos (Austrália e África do Sul). Já o segundo está construindo o Observatório Vera C. Rubin, no Chile, também de grande porte.

De acordo com Piero Benvenuti, ex secretário-geral da IAU e agora diretor do Centro para a Proteção do Céu Noturno e Silencioso da Interferência de Constelações de Satélites, as mega constelações são “uma ameaça pior à astronomia do que a poluição luminosa”.

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