Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Foguete prestes a bater na Lua no próximo mês não é um Falcon 9 da SpaceX

Foguete prestes a bater na Lua no próximo mês não é um Falcon 9 da SpaceX

Diferentemente do que havia sido noticiado pela circular publicada pelo Projeto Pluto, o objeto que deverá atingir a Lua em 4 de março não se trata do segundo estágio de um Falcon 9, lançado pela SpaceX em fevereiro de 2015. Na verdade, ele pode ser parte de um foguete chinês lançado em 2014.

Segundo anunciado no último sábado (12) pelo astrônomo Bill Gray, que fez a descoberta do impacto, ele cometeu um erro ao identificar a ameaça como um estágio de um antigo foguete SpaceX Falcon 9, que ajudou a lançar o satélite Deep Space Climate Observatory (DSCOVR), até o Ponto de Lagrange L1, que fica a 1,5 milhões de quilômetros de distância, na direção do Sol.  

Em vez disso, Gray sugere que o detrito pode ser parte de um foguete Longa Marcha 3C que lançou a missão Chang’e 5-T1 da China em outubro de 2014. Essa espaçonave foi uma antecessora da missão Chang’e 5, de 2020, que fez um retorno robótico de amostras do solo lunar.

De acordo com o diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON, na sigla em inglês), Marcelo Zurita, colunista do Olhar Digital, sempre que um objeto artificial é identificado durante as buscas por asteroides próximos à Terra, os dados dessas observações são enviados para o Projeto Pluto, que mantém e compartilha esses dados com outros observatórios para evitar que eles possam ser confundidos com asteroides novamente no futuro.

O aviso de correção publicado por Gray veio depois que ele recebeu uma nota de Jon Giorgini, engenheiro do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa. “Ele [Giorgini] escreveu para Gray no sábado de manhã explicando que a trajetória da nave DSCOVR não chegou particularmente perto da lua, e que, portanto, seria um pouco estranho se o segundo estágio se afastasse o suficiente para atingi-la”, relatou Eric Berger no site Ars Technica, que havia divulgado pela primeira vez a informação há três semanas.

Independentemente de sua história de origem, o estágio do foguete ainda é esperado para bater no lado mais distante da lua em 4 de março às 7h25 EDT (9h25, pelo horário de Brasília). O impacto não será visível da Terra. 

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