Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Biólogos se surpreendem com esponjas marinhas que se alimentam de fósseis no Ártico

Biólogos se surpreendem com esponjas marinhas que se alimentam de fósseis no Ártico

Um estudo publicado este mês na revista Nature Communications descreve uma descoberta surpreendente feita em 2016: uma espécie de carpete aveludado formado por esponjas marinhas cobrindo o fundo das águas congelantes do Oceano Ártico central, nas proximidades da Groenlândia e do Polo Norte, sobrevive há séculos se alimentando de fósseis.

Como o Ártico central é um deserto frígido onde poucas criaturas são capazes de sobreviver, os pesquisadores do Instituto Alfred Wegener (AWI), da Alemanha, ficaram admirados quando viram a próspera e delicada comunidade de esponjas em alto mar sob o gelo.

De acordo com o artigo científico que relata a descoberta, a equipe estava com seu navio posicionado a cerca de 320 km do Polo Norte quando a câmera submersível que eles estavam rebocando avistou um jardim de esponjas felpudas cobrindo os topos de vários vulcões extintos. Algumas delas se estendiam por mais de três metros de diâmetro, o que as torna gigantes para os padrões de esponjas em alto mar.

Esponjas marinhas, que não apresentam um trato digestivo, dependem principalmente da alimentação filtrante passiva para coletar nutrientes da água que flui através delas. No entanto, as correntes oceânicas no Oceano Ártico central são lentas, e poucas partículas giram na água. 

Testes do tecido das esponjas também revelaram que a colônia estava longe de ser ocasional. Sua idade média era de 300 anos. Isso levantou uma questão: como esses simples animais sobreviveram por séculos em um deserto marinho? 

“Esponjas marinhas são animais muito primitivos”, diz Teresa Morganti, bióloga do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha em Bremen, na Alemanha. “É realmente interessante pensar em como eles podem se adaptar a essas condições ambientais extremas”.

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