
Estudantes da Universidade do Arizona (UArizona), nos EUA, tiveram um papel crucial para determinar a origem de um foguete que deve colidir com a Lua no início de março. A afirmação é fruto de semanas de observação da rotação do objeto, bem como da análise de outros dados usados para confirmar que ele é de fabricação chinesa.
“Geramos um espectro (que pode revelar a composição material de um objeto) e o comparamos com foguetes chineses e da SpaceX de tipos semelhantes, e ele combina com o foguete chinês”, disse o professor associado da UArizona Vishnu Reddy, vice-diretor do laboratório Space Domain Awareness no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade, junto com o professor de engenharia Roberto Furfaro. “Esta é a melhor correspondência e temos as melhores evidências possíveis neste momento.”
Reddy e seus alunos estão fornecendo os dados de suas observações ao Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa para ajudar a identificar a localização do impacto do foguete na Lua, que poderá ser fotografado e verificado pelo satélite Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa. Eles estimam que o foguete atingirá algum lugar próximo ou dentro da cratera Hertzsprung, no lado oculto da lua.
Os estudantes da UArizona fizeram observações nas noites de 21 de janeiro e 7 de fevereiro, sendo esta a última vez que o foguete estaria visível antes de sua colisão com a Lua em março.
“Estou surpreso de que possamos dizer a diferença entre os dois tipos de corpos de foguete – SpaceX versus chinês – e confirmar qual deles impactará a Lua com os dados que temos. As diferenças que vemos são principalmente devido ao tipo de tinta usada pela SpaceX e pelos chineses”, disse Adam Battle, um estudante de pós-graduação que estuda ciência planetária. Battle trabalha no laboratório Space Domain Awareness desde 2018 e se concentra na espectroscopia, que ajudou a confirmar as origens do foguete.
“Não é todo dia que temos a chance de rastrear antes do tempo algo que sabemos que vai atingir a Lua”, disse Tanner Campbell, estudante de pós-graduação em engenharia aeroespacial e mecânica que trabalha com Reddy desde 2017. “Há um interesse particular em ver como os impactos produzem crateras. Também é interessante de uma perspectiva de previsão orbital, porque está viajando entre a Terra e a Lua sem propulsão. É apenas um corpo de foguete inerte impulsionado por sua própria energia e pela pressão da radiação solar, então podemos avaliar nossos modelos e ver quão boas são as nossas previsões.”
Entre para comentar.