
Uma evidência de autoconsciência é a capacidade de se reconhecer no espelho (MSR, na sigla em inglês). Passar no “teste de marca”, no qual os animais tocam ou raspam uma marca colocada em seu corpo em um local que só pode ser visualizado indiretamente em um espelho, é usado para determinar sua autoconsciência. E, ao que parece, os peixes passaram nesse teste.
Pesquisadores liderados por Masanori Kohda, da Escola de Pós-Graduação em Ciências da Universidade de Osaka, no Japão, já havia abordado isso em um estudo feito com peixes da espécie Labroides dimidiatus, o peixe-limpador. Agora, a equipe fornece mais evidências para sugerir que os peixes têm capacidade MSR, em uma nova pesquisa publicada na PLOS Biology.
Até então, além dos chimpanzés, as evidências de outros animais que passaram no teste da marca foram criticadas e, portanto, inconclusivas. Foi o que aconteceu com o estudo anterior de Kohda. “Anteriormente, usando uma marca marrom na área da garganta de L. dimidiatus, tínhamos mostrado três de quatro peixes raspando suas gargantas várias vezes depois de nadar em frente a um espelho, um bom número em comparação com estudos semelhantes feitos em outros animais como elefantes e golfinhos”.
No entanto, uma das críticas feitas contra a primeira abordagem foi o tamanho da amostra e a necessidade de estudos complementares mostrando resultados positivos. Em parceria com pesquisadores do Instituto Max Planck de Comportamento Animal na Alemanha e da Universidade de Neuchâtel, na Suíça, a nova pesquisa aumentou o tamanho da amostra para 18 peixes-limpadores, com um resultado positivo: 17 deles demonstraram o mesmo comportamento do estudo anterior.
“Após olhar para estudos semelhantes feitos sobre macacos, porcos, cães, gatos, etc., que claramente deram negativo, nos perguntamos se a razão pela qual esses animais não tocaram a marca foi porque ela não representava algo em seu ambiente natural com o qual eles estariam preocupados”, diz Kohda sobre a escolha da cor da marca. “Em nosso estudo anterior, usamos uma marca marrom, pois pode parecer um pequeno parasita que é a principal fonte de alimento para L. dimidiatus”.
Uma crítica a isso foi a possibilidade de que a sensação física da marca, juntamente com ver a marca marrom no espelho, possa desencadear um comportamento que não sugere conclusivamente o MSR.
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