Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Começa a busca por “gelo mais antigo do mundo” na Antártica

Começa a busca por "gelo mais antigo do mundo" na Antártica

Uma das camadas de gelo mais antigas da Terra começou a ser perfurada. Localizada na Antártica, a região conhecida como “Domo C” é alvo de uma iniciativa científica chamada “Beyond Epica-Oldest Ice”, que ambiciona recolher um núcleo de gelo profundo para estudar a evolução das temperaturas da Terra, bem como os ciclos de carbono ao longo dos últimos 1,5 milhão de anos e o papel disso na nossa composição atmosférica.

O “Domo C” tem esse nome devido a diversas reivindicações feitas por vários países, onde o “C” pode se referir a “Charlie”, “Circe” ou “Concordia”. Legalmente, porém, nenhuma nação é “dona” da região, conhecida por ter um dos climas mais extremos da Terra: no verão, na melhor das hipóteses, a temperatura não passa de -20º C (Celsius), enquanto o inverno pode esfriar as coisas até -80º C.

Esta parte da pesquisa já deveria ter começado há alguns anos, mas sofreu atrasos devido à COVID-19. Depois de muito esperar, a equipe finalmente conseguiu delimitar uma área de perfuração, criar uma “caverna” para armazenamento temporário e completar o sistema de perfuração de gelo, chegando a uma profundidade de 130 metros.

O objetivo é atingir uma profundidade de aproximadamente 2,7 mil metros, equivalente à espessura da camada de gelo na “Little Dome C”, uma área de cerca de 10 quilômetros quadrados (km²) a 34 km de distância da Estação Concórdia, operada em conjunto pela França e pela Itália.

“Nós estamos muito satisfeitos com o trabalho desenvolvido até agora. A nossa próxima campanha vai envolver um teste final do sistema de perfuração e, daí, rapidamente procederemos à extração mais aprofundada”, disse Carlo Barbante, diretor do Instituto de Ciências Polares do Conselho Nacional de Pesquisas da Itália (Cnr-Isp).

“Nós acreditamos que esse núcleo de gelo vai nos fornecer informações sobre o clima do passado e também sobre os gases do efeito estufa presentes nas atmosferas durante o meio do período de transição do Pleistoceno (MPT), que ocorreu entre 900 mil e 1,2 milhão de anos atrás. Nessa transição, a periodicidade climática entre as eras de gelo mudou de 41 mil para 100 mil anos: o motivo para isso é o mistério que esperamos resolver”.

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