
O buraco negro supermassivo ao centro da Via Láctea — chamado Sagittarius A* — pisca. O problema: nós não sabemos o motivo. Mas para isso temos o telescópio espacial James Webb, lançado no Natal de 2021 e que, com sorte, poderá encontrar a resposta para esse enigma.
Não que ele esteja sozinho nessa empreitada: o James Webb contará com a ajuda do telescópio Event Horizon (EHT), que consiste em oito radiotelescópios instalados na superfície da Terra.
A razão para isso é simples: embora nós não tenhamos ideia do motivo pelo qual isso acontece, o fato do buraco negro da nossa Via Láctea “piscar” nos impede de estudá-lo em mais detalhes. Esses pulsos ocorrem mais ou menos de hora em hora, e esses intervalos tornam difícil criar uma imagem mais realista dele.
É nisso que entram os dois telescópios: de um lado, o James Webb têm um conjunto de espelhos com funções bem intrínsecas de leitura de luz — não só a imensas distâncias, como também por vários espectros. De outro, o EHT foi o responsável pela imagem do M87*, a primeira foto real de um buraco negro, tirada em 2019.
Segundo um comunicado divulgado por oficiais de operação do James Webb, o M87*, embora mais longe, tem uma natureza mais estável, por isso ele foi mais simples de ser registrado:
“O núcleo do M87* é um alvo mais fixo. O Sagittarius A* exibe esses pulsos a cada hora, o que torna o processo de geração e processamento de imagem muito mais complicado”, disseram os oficiais. “Por isso, o James Webb vai auxiliar [a pesquisa] com suas próprias imagens infravermelhas da região ao redor do buraco negro, capturando dados de quando os pulsos ocorrerem, os quais serão uma referência inestimável para o time do EHT”.
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