Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Mistério permanece: afinal, de quem realmente é o foguete que vai colidir com a Lua?

Mistério permanece: afinal, de quem realmente é o foguete que vai colidir com a Lua?

Há duas semanas, o mundo todo foi surpreendido com a notícia de que um estágio errante de um foguete irá colidir com a Lua daqui a pouco mais de uma semana, em 4 de março. Primeiramente, foi noticiado pela mídia especializada que se trata de um Falcon 9 da SpaceX. Em seguida, novos dados levaram à conclusão de que, na verdade, seria um foguete lançado em 2014 na missão Chang’e 5-T1, da China.

Durante uma coletiva de imprensa concedida na segunda-feira (21), no entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, disse que não pode ser o caso, já que o estágio superior do Chang’e 5-T1 teria queimado completamente na atmosfera da Terra logo após a decolagem.

Mas Bill Gray, astrônomo que liderou a descoberta do impacto, não está engolindo a versão da China.

“Não há realmente nenhuma boa razão neste momento para pensar que o objeto é algo além do booster Chang’e 5-T1”, disse Bill Gray, que gerencia o software Projeto Pluto, usado para rastrear objetos próximos à Terra, em entrevista ao site Inside Outer Space. “Qualquer um que afirme o contrário tem uma grande montante de evidências para superar”.

“Nós temos um pequeno mistério, em que o 18º Esquadrão de Controle Espacial dos EUA (18SPCS) lista este propulsor (o mesmo que estou dizendo que atingirá a Lua) como tendo reentrado a atmosfera da Terra em outubro de 2015, quase um ano após o lançamento”, explicou Gray. “Mas os únicos dados de trajetória que eles fornecem são para pouco depois do lançamento. Se isso é tudo com que eles tiveram que trabalhar, então a data de reentrada é uma previsão de um ano antes do tempo e não é particularmente significativa”.

Gray explica que isso é como tentar prever o tempo com um ano de antecedência. “Mas, o melhor que posso dizer, esse erro em particular não envolveu o rastreamento de dados”, disse ele. “Acho que envolveu confusão sobre duas missões similarmente nomeadas”.

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