Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Em relatório, ONU diz que não vamos evitar os piores efeitos do aquecimento global

Em relatório, ONU diz que não vamos evitar os piores efeitos do aquecimento global

Como se uma guerra envolvendo vários países já não fosse o suficiente, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), publicou um novo relatório — nada animador — sobre o aquecimento global.

Basicamente, quase 50% da humanidade já vive na chamada “zona de perigo climática”, nome atribuído às regiões e países que estão em risco de vivenciar o pior dos nocivos efeitos climáticos. Mais além, o parecer da ONU é o de que não vamos conseguir evitar a chegada desses efeitos.

Isso, aliás, não é a imprensa atribuindo um tom alarmista a um relatório técnico. A preocupação vem da própria ONU: “eu já li muitos relatórios científicos, mas nada desse jeito”, disse o secretário-geral da organização para assuntos climáticos, António Guterres, em um vídeo de divulgação. “O relatório divulgado hoje [28] é um atlas do sofrimento humano, e uma condenação notória da falha da liderança climática, além de revelar como as pessoas e o planeta estão levando uma surra do aquecimento global”.

O cenário apresentado no relatório menciona todos os fatores negativos que já mencionamos aqui por outras ocasiões: a morte em massa de várias espécies de plantas (incluindo algumas ainda não descobertas) e animais, sistemas de alimentação e irrigação entrando em colapso, e a inversão de pontos carboníferos da Terra que, hoje, absorvem dióxido de carbono (CO2), mas tão logo deverão passar a emitir o gás.

O CO2 é um dos principais gases que compõem o efeito estufa — um dos principais fatores de aquecimento da temperatura média da Terra. A grosso modo, nosso planeta já está perto de ficar 1,5º C (Celsius) mais quente do que nos níveis pré-Revolução Industrial.

Isso é uma péssima notícia para as geleiras e regiões polares: o derretimento incessante do gelo levará ao aumento do nível do mar, que por sua vez pode inundar regiões litorâneas, além de causar a seca nas áreas mais centrais. Mais seca pode levar a mais incêndios florestais espontâneos, o que expele mais CO2 na atmosfera, prendendo mais gás na Terra, aquecendo-a mais… um ciclo constante de perdas em virtude do clima.

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