Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Missão europeia a Marte pode atrasar devido à invasão da Rússia na Ucrânia

Missão europeia a Marte pode atrasar devido à invasão da Rússia na Ucrânia

A invasão russa à Ucrânia está gerando repercussão em todo o mundo, e até mesmo muito além dele. A segunda parte da missão europeia ExoMars, que visa o envio de um rover chamado Rosalind Franklin à superfície de Marte, pode perder sua janela de lançamento neste ano devido às sanções impostas à Rússia após o início das hostilidades.

A ExoMars é a cooperação mais importante entre as agências espaciais da Europa (ESA) e da Rússia (Roscosmos) após a Estação Espacial Internacional. Originalmente concebida como uma parceria entre a ESA e a Nasa, a missão quase foi cancelada em 2012, devido a cortes no orçamento da agência espacial norte-americana durante o governo do presidente Barack Obama. 

A missão foi salva quando os russos se ofereceram para “preencher o vácuo” deixado pela saída da Nasa. A primeira etapa foi lançada em 2016, quando o satélite Trace Gas Orbiter e o módulo de pouso (“lander”) Schiaparelli foram enviados ao planeta vermelho. E embora o satélite tenha entrado em órbita como programado, o lander foi destruído no pouso devido a um erro de software.

O Rosalind Franklin deveria ter sido enviado em 2018, mas o lançamento foi adiado para 2020 devido a problemas com o sistema de para-quedas usado no pouso. A pandemia de Covid-19 forçou novo adiamento, para setembro de 2022. E em um comunicado emitido nesta segunda-feira (28), a agência espacial europeia (ESA) afirma que as sanções recém-impostas por seus 22 membros à Rússia tornam um lançamento neste ano “muito improvável”.

Segundo o texto, o Diretor Geral da ESA irá “analisar todas as opções” e preparar uma decisão formal que será apresentada aos membros da agência. O principal problema é que a ExoMars usa inúmeros componentes russos, cuja substituição será demorada e cara. Entre eles o foguete Proton (para o lançamento), a plataforma Kazachock (no pouso em Marte) e vários instrumentos científicos a bordo do rover.

Vale lembrar que no último sábado a Rússia anunciou estar “abandonando” a operação no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, de onde lança os foguetes Soyuz em parceria com empresas como o consórcio europeu Arianespace. O próximo lançamento, programado para 6 de abril, colocaria em órbita dois satélites para o sistema de navegação via satélite europeu Galileo.

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