
Um dos grandes mistérios do universo (e, talvez, o maior deles) é se existe vida em outro lugar que não seja a Terra. E quando se fala em vida alienígena, diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, não se trata de buscar por seres esverdeados, de perninhas finas e compridas, olhos gigantes e pontas dos dedos brilhantes.
Na verdade, a busca por vida fora da Terra é focada em qualquer coisa que tenha emergido de compostos químicos, suas respectivas reações e interações entre moléculas que se assemelham às formas de vida que temos por aqui: desde micro-organismos unicelulares, como bactérias, protozoários, algumas espécies de algas e certos tipos de fungos, até os organismos mais complexos, como a maioria das plantas e animais (nos quais os seres humanos se enquadram).
Ocorre que a base de referência que os cientistas têm em mãos é sempre a diversidade bioquímica dos seres terrestres. Ou seja, a busca por vida alienígena tem sido restrita ao conhecimento da vida na Terra como parâmetro, essencialmente procurando pela “vida como a conhecemos”. Para os astrobiólogos que procuram vida em outros planetas, simplesmente não há ferramentas para prever as características da “vida como não a conhecemos”.
Em uma nova pesquisa publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), uma equipe de cientistas abordou essa restrição identificando padrões universais na química da vida que não parecem depender de moléculas específicas. Essas descobertas fornecem uma nova oportunidade para prever características da vida alienígena com bioquímicas diferentes da vida terrestre.
“Queremos ter novas ferramentas para identificar e até mesmo prever características da vida, pois não a conhecemos”, diz a coautora Sara Imari Walker, da Universidade Estadual do Arizona (ASU), nos EUA. “Para isso, pretendemos identificar as leis universais que devem se aplicar a qualquer sistema bioquímico. Isso inclui desenvolver teoria quantitativa para as origens da vida, e usar teoria e estatística para orientar nossa busca por vida em outros planetas”.
Como dito, na Terra, a vida emerge da interação de centenas de compostos químicos e reações. Alguns desses compostos e reações são encontrados em todos os organismos, criando uma bioquímica universalmente compartilhada para toda a vida no nosso planeta. Essa noção de universalidade, porém, é específica da bioquímica conhecida e não permite previsões sobre exemplos ainda não observados.
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