Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Três exoplanetas conhecidos não são o que pareciam ser

Três exoplanetas conhecidos não são o que pareciam ser

Já faz três décadas que a astronomia descobriu que existem mundos além do nosso sistema solar. Desde então, mais de 5 mil exoplanetas foram confirmados em outros sistemas de Via Láctea, e os cientistas detectaram quase a mesma quantidade de “candidatos” – objetos que podem ser planetas, mas ainda não foram confirmados como tais. 

Em um estudo publicado no Astronomical Journal, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) relatam que três (ou, provavelmente, quatro) planetas que foram originalmente descobertos pelo Telescópio Espacial Kepler, da Nasa, são de fato classificados erroneamente. Na verdade, eles têm mais chances de serem pequenas estrelas.

Segundo a equipe, foram usadas medições atualizadas das estrelas que hospedam os planetas para verificar novamente o tamanho dos corpos, e identificou-se que três deles são simplesmente grandes demais para serem planetas. Com novas e melhores estimativas de propriedades estelares, os pesquisadores descobriram que os três objetos, conhecidos como Kepler-854b, Kepler-840b e Kepler-699b, agora são estimados entre duas e quatro vezes o tamanho de Júpiter.

“A maioria dos exoplanetas são do tamanho de Júpiter ou muito menores. Duas vezes [o tamanho de] Júpiter já é suspeito. Maior do que isso não pode ser um planeta, que foi o que encontramos”, diz o primeiro autor do estudo, Prajwal Niraula, estudante de pós-graduação do Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do MIT.

Um quarto planeta, Kepler-747b, tem cerca de 1,8 vezes o tamanho de Júpiter, o que é comparável aos maiores planetas confirmados. No entanto, ele está relativamente longe de sua estrela, e a quantidade de luz que recebe é muito pequena para sustentar um planeta de seu tamanho. O status planetário do Kepler-747b, conclui a equipe, é suspeito, mas não totalmente implausível.

“No geral, esse estudo torna a lista atual de planetas mais completa”, declarou um dos coautores, Avi Shporer, cientista pesquisador do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT. “As pessoas confiam nesta lista para estudar a população de planetas como um todo. Se você usar uma amostra com alguns intrusos, seus resultados podem ser imprecisos. Portanto, é importante que a lista de planetas não seja contaminada”. Outros coautores do estudo são Ian Wong, bolsista do programa de pós-doutorado da Nasa no Goddard Space Flight Center, e Julien de Wit, professor assistente do MIT.

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