Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Munição de armas está levando aves de rapina à morte (e não do jeito que você imagina)

Munição de armas está levando aves de rapina à morte (e não do jeito que você imagina)

A população de aves de rapina – predadores como águias e falcões, por exemplo – está caindo rapidamente em vários países, e a culpa é das armas. Mas engana-se quem pensa que as aves estão levando tiros de caçadores: na verdade, humanos que atiram em animais e os deixam para morrer são buscados pelas aves, que acabam envenenadas pelo chumbo das munições das referidas armas após consumirem suas carcaças.

A conclusão vem por meio de um estudo feito por especialistas da Universidade de Cambridge, que compartilhou números nada reconfortantes: cerca de 55 mil indivíduos entre várias espécies de aves de rapina morreram de envenenamento por chumbo em pelo menos 12 países, com algumas espécies, como a águia de cauda branca, sendo uma das mais punidas.

A pior parte do problema é que animais como águias, falcões e abutres se reproduzem tardiamente, muito tempo após atingirem a maturidade. Isso significa que os indivíduos que estão morrendo são jovens e ainda não acasalaram nem botaram ovos.

O estudo de Cambridge analisou os fígados e órgãos de 3 mil aves de rapina encontradas mortas na natureza, concluindo que até mesmo espécies fáceis de serem encontradas, como o abutre comum e o milhafre-real, por exemplo, teriam populações consideravelmente maiores não fosse o envenenamento por chumbo.

Populações como a águia dourada e o grifo (um abutre com cores mais brancas) já estão reduzidas em 13% e 12%, respectivamente, enquanto a já citada águia de cauda branca tem 14% menos indivíduos vivos. Já o abutre comum baixou sua população em 1,5%, mas o percentual baixo contempla 22 mil adultos da espécie.

Aves de rapina em geral já estão em declínio de 6%, mesmo com associações de caçadores orientando o abandono do chumbo e a troca por munições feitas de material não tóxico. A ideia das associações relacionadas é abandonar o chumbo por completo até 2025, mas a universidade tem uma percepção pessimista desse progresso.

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