Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Planeta-anão Ceres se formou em fronteira gelada do sistema solar, diz estudo

Planeta-anão Ceres se formou em fronteira gelada do sistema solar, diz estudo

O planeta-anão Ceres pode ter se formado nas fronteiras geladas do nosso sistema solar, de acordo com novo estudo assinado pelo brasileiro Rafael Ribeiro de Sousa (Universidade do Estado de São Paulo – UNESP) e o italiano Alessandro Morbidelli (Observatoire de la côte d’Azur, França).

A sugestão é interessante, considerando que Ceres está localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter – uma região relativamente centralizada da nossa vizinhança no espaço.

Ceres foi descoberto em janeiro de 1801 por Giuseppe Piazzi. Originalmente, ele havia sido classificado como um planeta – tal qual Marte, Terra etc. -, mas passou por uma reclassificação, tornando-se um asteroide devido à presença de objetos com órbitas similares à dele. Eis que, em 2006, ele foi novamente reclassificado, agora como um planeta-anão.

Ceres está em uma posição única dentro do cinturão de asteroides: com um raio de 476 quilômetros (km), ele é o maior objeto da área. A missão Dawn, da NASA, passou anos orbitando o planeta-anão, coletando informações sobre sua superfície, o que nos levou a descobrir que ele é, no mínimo, estranho. Muito estranho.

Para começar, a superfície é formada por uma mistura de minerais de gelo aquático ligados por água líquida. Seu manto também tem gelo aquático por quase toda a sua formação e reveste um núcleo que é, basicamente, rocha sólida. Ele também tem baixa densidade (2,2 gramas por centímetro cúbico) e baixo albedo – ou seja, mesmo em seu momento mais brilhante, ele reflete pouca luz. Isso faz dele bem similar aos asteroides tipo C – condritos carbonáceos – o tipo mais comum desses objetos.

Ao contrário de outros asteroides, porém, Ceres tem água demais. E amônia, bastante amônia, pode ser encontrada em sua superfície. A amônia em si não é algo tão estranho, mas esse elemento não é muito comum dentro das áreas mais centrais do sistema solar – o Sol a faz evaporar com facilidade – e todos os outros asteroides do cinturão não a apresentam.

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