
De acordo com as leis da relatividade geral, o que cai em um buraco negro, fica em um buraco negro. Acontece que, agora, novas pesquisas sugerem que o material ali de dentro pode deixar uma impressão quântica no campo gravitacional externo.
Se for confirmada, essa descoberta resolveria um problema de longa data na física: o paradoxo da informação do buraco negro de Stephen Hawking. Na década de 1970, Hawking calculou que os buracos negros podem não ser inteiramente vias de mão única; eles poderiam emitir uma radiação – que ficou conhecida como radiação Hawking.
No entanto, essa radiação Hawking é simples radiação térmica, ou calor, e não carrega nenhuma informação sobre a origem do buraco negro ou a matéria que desapareceu dentro dele. Em outras palavras, medir a radiação em si nada diria sobre sua história.
Conforme destaca o site LiveScience, o paradoxo surge porque as leis da mecânica quântica afirmam que a informação não pode ser perdida. “Conhecer o estado final de um objeto fornece pistas sobre seu estado inicial, permitindo que você rebobine o filme”, disse Xavier Calmet, físico da Universidade de Sussex, na Inglaterra, que liderou a nova pesquisa.
Se um buraco negro engole informações de forma irrevogável, essas leis não podem estar corretas. A contradição o torna o lugar ideal para testar como a mecânica quântica e a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein se encaixam. “O que estamos mostrando é que as duas teorias são muito mais compatíveis do que as pessoas imaginavam, que não há paradoxo”, disse Calmet.
A noção de que esses fenômenos têm muito poucas características para distingui-los uns dos outros é chamada de “teorema sem cabelo”, uma metáfora feita pela primeira vez pelo físico John Wheeler. A ideia é que, além da massa, carga e rotação, os buracos negros não têm características distintivas – nenhum ‘penteado’, ‘corte’ ou ‘cor’ para diferenciá-los.
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