
Cobras constritoras como a jibóia, ao contrário de outras serpentes, preferem se enrolar e apertar suas vítimas, sufocando-as até a morte, amaciando os órgãos internos e quebrando ossos para facilitar sua alimentação – esse tipo de réptil consegue engolir inteiros animais que vão de ratos a porcos.
É uma abordagem direta assim como as serpentes venenosas, mas uma dúvida sempre intrigou especialistas: afinal, se nós nos contrairmos demais o tronco, eventualmente vamos “perder o ar”. Então como a jibóia e outras cobras constritoras não sufocam com seu próprio “abraço”?
Em um novo estudo publicado no Journal of Experimental Biology, biólogos descobriram que a capacidade destas cobras de sufocar sem se sufocar vem dos movimentos de suas costelas.
“A evolução da constrição e ingestão de presas grandes pelas serpentes são inovações essenciais que podem explicar a incrível diversidade, distribuição e escopo ecológico deste grupo relacionado aos vertebrados alongados”, diz trecho do estudo. “Entretanto, esses comportamentos podem ter, simultaneamente, impedido a ventilação pulmonar de tal forma que as primeiras serpentes podem ter precisado contornar essas restrições mecânicas antes que esses comportamentos pudessem evoluir”.
A fim de descobrir essa resposta, o time de pesquisadores seguiu um método igualmente simples e engenhoso: eles amarraram medidores de pressão – aqueles que você vê em qualquer consultório clínico – em partes dos corpos de oito jibóias em laboratório. Especificamente, um medidor nas áreas medianas de cada cobra, às vezes mais para cima, às vezes mais para baixo.
Ao bombear o medidor de pressão, o que os cientistas observaram foi que as serpentes conseguem alternar o uso de suas costelas na busca por ar para seus pulmões, evitando o ponto onde a pressão lhes apertava mais e, assim, mantendo seus canais aéreos em funcionamento normal.
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