Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Quiabo pode ser usado para remover microplásticos da água; entenda

Quiabo pode ser usado para remover microplásticos da água; entenda

Uma nova pesquisa apresentada durante conferência da Sociedade Química Americana (ACS, na sigla em inglês) mostra que a “gosma” de plantas como o quiabo pode ser usada como agente de limpeza em corpos de água acumulada. O material desenvolvido por Rajani Srinivasan deve agora ser testado no lugar de agentes sintéticos em usinas de tratamento de água, para avaliar a viabilidade da solução.

“A fim de seguirmos em frente e removermos microplásticos ou qualquer outro tipo de material, deveríamos usar agentes naturais, que são não-tóxicos”, disse Srinivasan, que trabalha na área de investigação química da Universidade Tarleton, no Texas.

O quiabo é um ingrediente bastante comum em vários tipos de cozinha, e vai muito bem com frango, angu, batata doce ou brócolis. Entretanto, nem todo mundo gosta dessa hortaliça justamente devido à “baba” que ela solta quando exposta a temperaturas mais quentes.

Em pesquisas anteriores, Srinivasan já havia comprovado a utilidade dessa substância na limpeza de água contra micropoluentes têxteis e até no tratamento de microorganismos nocivos. No novo estudo, a ideia foi expandida para microplásticos.

Entende-se por “microplásticos” os poluentes sólidos com cinco milímetros (mm) ou menos feitos de…bem, plástico, ou resinas sintéticas humanas. A presença deles na água é um problema pois os peixes os comem e, com isso, acabam sofrendo efeitos desde danos ao fígado, crescimento reduzido e, em piores casos, destruição de sistemas reprodutores. Além disso, microplásticos podem ser carcinogênicos e existe grande possibilidade de eles serem danosos a humanos, estando presentes em nossas comidas e na nossa rotina.

Normalmente, eles são removidos da água usando agentes químicos sintéticos que funcionam como uma “cola”, fazendo com que pequenos pedaços se juntem, facilitando sua remoção. O problema é que esses agentes também têm alta toxicidade em sua composição: por exemplo, muitos agentes de limpeza usam poliacrilamida, que pode ser quebrada em moléculas nocivas.

Compartilhe