Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Brasileira de 16 anos identifica 1.450 galáxias para projeto astronômico japonês

Brasileira de 16 anos identifica 1.450 galáxias para projeto astronômico japonês

Maria Larissa Paiva, uma estudante de 16 anos do Ceará, acabou de concluir uma análise astronômica onde classificou sozinha 1.450 galáxias para o projeto “Galaxy Cruise”, do Observatório Astronômico Nacional do Japão. Antes, a jovem havia descoberto um asteroide, feito que foi reconhecido pela Nasa.

As galáxias são conjuntos de estrelas, poeira cósmica e matéria escura, e classificar tudo isso não foi uma tarefa tão comum. A jovem contou que desde janeiro tem se dedicado muito ao processo, que envolve análise de características como tamanho, luminosidade, formato e comprimento de ondas das galáxias.

Em seguida, os dados são registrados em um software do projeto. “Depende muito do tempo que cada pessoa deposita no trabalho de classificação e o quanto a pesquisa é levada a sério. Até o momento estive 100% sozinha nas pesquisas. Não foi fácil”, diz a estudante, que divide seu tempo entre o projeto e as atividades do terceiro ano do ensino médio.

Essa classificação de galáxias pode ajudar pesquisadores, por exemplo, a prever alguns fenômenos como a colisão desses sistemas. No projeto do Observatório Astronômico Japonês, as galáxias classificadas pelos colaboradores (que podem ser profissionais e voluntários) passam pela aprovação do programa Galaxy Cruise, que está sempre em atualização. Na plataforma, existe uma espécie de ranking de análises. É por lá que a jovem tem o controle de quantas galáxias ela conseguiu analisar.

A relação de Maria Larissa com a astronomia começou na infância, com o desejo de saber o nome dos astros que iluminavam o céu de sua cidade natal, Pires Ferreira, no interior do Ceará.

“Certa noite, minha avó paterna, Mundinha, estava sentada na varanda e eu estava no quintal brincando. Cheguei para ela e questionei se as estrelas tinham nomes. ‘Não sei todas, minha filha, mas o nome daquelas três ali são Maria. São as Três Marias’, apontando para o Cinturão de Orion. A minha curiosidade só se multiplicou”, lembra a jovem.

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