Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de março de 2022 · 3 min de leitura ·

Astrônomos observam uma estrela criando “anéis de fumaça” como seu grito de morte

Astrônomos observam uma estrela criando “anéis de fumaça” como seu grito de morte

A estrela V Hydrae, uma gigante vermelha, foi observada por astrônomos no momento em que ela despejava seis “anéis de fumaça”, durante seus momentos finais de vida. O fenômeno ainda não é bem compreendido por nós, mas pode eventualmente nos dar mais conhecimento sobre o destino do nosso próprio Sol, por exemplo.

Os tais “anéis de fumaça”, segundo os especialistas, consistem de ondas de dispersão de matéria sólida que têm a aparência de nuvens de poeira. Eles suspeitam que isso tenha a ver com os ventos estelares acelerados que levam a matéria a “envelopar” uma estrela moribunda quando ela está em vias de virar uma anã branca.

Você já deve ter lido aqui no Olhar Digital sobre como as explosões conhecidas como “supernovas” correspondem ao fim de uma estrela e, possivelmente, à origem de um buraco negro. Entretanto, nem sempre isso acontece. Se a estrela for de porte menor – ou seja, menos massa -, ela não passará por essa explosão, e efetivamente vai queimar seu combustível até extingui-lo por completo, virando uma anã branca. Será o caso do nosso Sol, por exemplo, em uns 10 bilhões de anos.

Antes disso, porém, muita coisa acontece: estrelas normalmente funcionam pela conversão de hidrogênio em hélio. Eventualmente, essa conversão acaba, junto com o hidrogênio, o que faz com que a estrela seja comprimida pela gravidade e elevando sua temperatura externa. Eventualmente, esse processo faz com que ela se expanda consideravelmente, chegando a diâmetros entre 100 milhões e um bilhão de quilômetros (km).

Neste ponto, a temperatura de superfície é relativamente baixa (para os padrões de uma estrela, pelo menos), com máximas de 3,2 mil graus Celsius (3.200º C), tomando uma aparência fortemente alaranjada – daí o nome “gigante vermelha”. Nesta fase, todo o hélio convertido vai se aproximando do fim, forçando o encolhimento da estrela. Uma série de outros processos ocorre e, eventualmente, a estrela encolhida vira uma anã branca. Em meio a tudo isso, os ventos estelares começam a “expulsar” a atmosfera da estrela, finalizando essa transição.

Ao menos, esse é o processo que conhecemos. O que vem acontecendo com a V Hydrae, contudo, fez cientistas coçarem a cabeça em dúvida: a estrela localizada há 1,3 mil anos-luz da Terra tem uma atmosfera rica em carbono, o que lhe confere uma taxa de perda de massa mais rápida que o normal. Isso fez com que especialistas especulassem que ela esteja no processo de “descascar” sua atmosfera – mais ou menos como uma serpente faz durante as “mudas” de pele.

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