
Conhecidas pelo nome comum de viúvas negras, as aranhas do gênero Latrodectus são famosas por praticar o canibalismo sexual, em que a fêmea devora o macho após a cópula. Esse mecanismo inspirou o nome de sistemas estelares binários raros em que uma pulsar captura e devora uma estrela menor, de pouca densidade, resultando em fortes emissões de raios-X, raios gama e luz visível.
A cada quatro milissegundos, uma estrela morta explode um poderoso feixe de radiação em direção à Terra, o que não representa o menor risco para o nosso planeta. Na verdade, é o pequeno companheiro da estrela morta que está em uma grande enrascada. Em um novo estudo publicado no serviço de pré-impressão arXiv, os pesquisadores descrevem esse excêntrico sistema estelar.
Assim como a aranha canibal da qual esse tipo de sistema leva o nome, o membro maior da dupla parece disposto a devorar e destruir seu companheiro menor. No entanto, diferentemente do que ocorre entre os casais de aranhas, não há uma decapitação rápida: a estrela maior parece estar matando seu parceiro muito lentamente.
Ao longo de centenas ou milhares de anos, a estrela maior vem sugando matéria das proximidades da estrela menor, ao mesmo tempo em que vai explodindo a pequena estrela com feixes de energia, que empurram ainda mais matéria para o espaço.
“Algum dia, é possível que a estrela maior possa devorar completamente a menor”, disse a principal autora do estudo, Emma van der Wateren, estudante de doutorado no Instituto Holandês de Radioastronomia (ASTRON), em entrevista ao site Live Science.
Ao monitorar os pulsos notavelmente estáveis da estrela maior para irregularidades súbitas, Emma e os demais autores do estudo esperam que esse pulsar possa ajudá-los a detectar ondulações raras no tecido de espaço-tempo: as chamadas ondas gravitacionais.
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