Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de abril de 2022 · 2 min de leitura ·

Cientistas usam telescópio FERMI para encontrar ondas gravitacionais longas

Cientistas usam telescópio FERMI para encontrar ondas gravitacionais longas

Por décadas, cientistas vêm usando telescópios de rádio para encontrar ondas gravitacionais longas – tidas como uma espécie de “relógio do universo” – com variados graus de precisão. Agora, especialistas do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, descobriram que essas ondas também podem ser observadas por meio de raios gama, e empregaram o telescópio FERMI para esta finalidade, devido a ele ser particularmente ajustado para esse tipo de emissão.

O estudo da equipe do instituto rendeu um paper aprovado para publicação no jornal científico Science.

Ondas gravitacionais longas são, a grosso modo, um subproduto da ação de buracos negros supermassivos. Basicamente, conforme esses objetos se aproximam e começam a se fundir, a velocidade de suas rotações faz com que eles comecem a coalescer, dispersando essas ondas a centenas de trilhões de quilômetros (km) por todas as direções do universo.

Normalmente, observar tais ondas requer o uso de telescópios de rádio de grande porte. O estudo disso não é muito complicado, uma vez que as ondas gravitacionais podem ser facilmente antecipadas – os astrônomos normalmente as buscam observando pulsares, os restos mortais de uma estrela massiva, e esses objetos possuem uma rotação regular. O problema é que, quando essas ondas chegam na Terra, elas se alteram o suficiente para bagunçar algumas análises.

O telescópio FERMI elimina esse problema, e oferece uma segunda via de análise que, em tese, permite aos astrônomos comparar suas descobertas sobre ondas gravitacionais longas em mais de um espectro.

“O FERMI estuda o universo por meio de raios gama, a forma mais energizada da luz. Nós ficamos surpresos com o quão bom ele é para encontrar os tipos de pulsares que precisamos observar para vermos essas ondas — até agora, mais de 100”, disse Matthew Kerr, pesquisador físico do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, em Washington. “O FERMI e os raios gama têm características que, quando juntas, tornam essa uma ferramenta poderosa para esse tipo de investigação”.

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