Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 20 de setembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Austrália vai adotar submarinos nucleares, enfurecendo a França; entenda o que está em jogo

Austrália vai adotar submarinos nucleares, enfurecendo a França; entenda o que está em jogo

Num gesto que causou uma crise diplomática sem precedentes entre Austrália e França, na última quarta feira, o presidente John Biden anunciou o pacto Aukus, pelo qua a Austrália receberá tecnologia militar dos Estados Unidos e Reino Unido para criar submarinos nucleares.

No dia seguinte, a França manifestou sua indignação, denunciando o que viam como uma traição de três aliados, uma “facada nas costas”. O ministro do exterior da França, Jean-Yves Le Drian, chegou a comparar Biden com Trump. Em protesto, o presidente da França, Emmanuel Macron, chamou de volta o embaixador na Austrália, um gesto que geralmente ocorre com países à beira da guerra.

Isso porque a França tinha, desde 2016, negociações com a Austrália para prover submarinos. Sem que os franceses fizessem ideia, os australianos costuraram com americanos e britânicos o fim do acordo pelo qual a França forneceria 16 submarinos convencionais à Austrália. Era uma colaboração prevista para durar 50 anos, num total de US$ 66 bi (R$ 361 bi).

Mas a razão de o acordo ter um impacto mundial não é apenas uma desavença comercial entre dois países democráticos ricos, mas o que está por trás dessa decisão:

Os desafios de segurança na região do Indo-Pacífico cresceram significativamente. A modernização militar está ocorrendo numa proporção sem precedentes, as capacidades estão avançando e a pesquisa, expandindo. A vantagem tecnológica apreciada pela Austrália e nossos parceiros está diminuindo.

Quem está modernizando no Indo-Pacífico? A resposta é óbvia: a China. A Austrália se une aos esforços anti-China iniciados pelos Estados Unidos no governo Trump, que incluíram o banimento da Huawei, dos quais Biden não recuou.

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