
Autoridades de segurança e ONGs de proteção ao consumidor estão preocupadas com a implementação do beta do Safety Score, o programa de pontuação de motoristas da Tesla que confere notas por direção segura. O sistema, que avalia o comportamento de trânsito num valor diário de 0 a 100, pode estar configurado para estimular a condução imprudente dos elétricos.
Segundo uma análise da Consumer Reports, um dos critérios do Safety Score, o Hard Breaking (Freadas Bruscas) estaria punindo os motoristas quando o carro freasse de 40 km/h até uma paragem completa. No entanto, a frenagem é perfeitamente razoável em circunstâncias convencionais de trânsito, como, por exemplo, ao se aproximar de um sinal fechando.
A análise da instituição detectou que o Safety Score está punindo os motoristas mesmo com a manobra sendo constantemente realizada pelo piloto automático da Tesla. A infração é considerada uma falha apenas quando ocorrida por tomada de decisão humana.
Isso acontece por conta dos critérios de cálculo do Hard Breaking. Segundo o site da Tesla, o recurso é designado para detectar se a aceleração contrária do automóvel ultrapassa 0,3 g — o seria uma parada a partir de 10,7 km/h em um segundo.
A penalidade, segundo a Consumer Reports, pode ser entendida como um estímulo a motoristas arriscarem manobras como, por exemplo, acelerarem para ultrapassar um sinal amarelo. “Pisar no freio para não atropelar um ciclista ou um pedestre não te faz um motorista ruim”, explica Kelly Funkhouser, a diretora de veículos autônomos da Consumer Reports.
Surgido inicialmente como uma ferramenta de estimativa de acidentes, o sistema de notas por direção segura da Tesla agora está sendo utilizado para conceder acesso ao beta do Full Self Driving (FSD) — a direção assistida dos carros da montadora. O programa, que entrará na sua versão 10.2 na próxima semana, chegará primeiro aos motoristas com melhor desempenho no Safety Score.
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