
Na série da vez, Round 6, há muitas referências da vida coreana que acabam batidas para espectadores ocidentais. Uma delas, que é bastante central na trama, fala de um evento doloroso da história recente do país, envolvendo a indústria automobilística.
No meio da temporada, quando os participantes do jogo montam barricadas de proteção, o protagonista Seong Gi-hun tem um flashback de como sua vida começou a degringolar. Ele era funcionário de uma certa Dragon Motors e, numa greve violenta, acabou perdendo um amigo para fura-greves. E depois seu emprego, sua estabilidade, eventualmente, tudo. Nunca mais se acertou financeiramente e acabou caindo na dívida, o que o levou ao Jogo da Lula.
Quem é coreano notou imediatamente qual é a referência: a brutal repressão à greve da montadora Ssangyong em 2009. Não é nada sutil, aliás: Ssangyong significa “Dois dragões” em coreano. “Dragon Motors” é uma referência óbvia.
A fábrica fica em Pyeongtaek, cidade do sul da Coreia do Sul. No começo de 2009, a SAIC Motor, montadora chinesa que controlava a Ssanyong então, entrou em processo de falência. Era uma consequência da crise de 2008.
Com a falência do acionista, em maio, a Ssangyong anunciou um plano de reestruturação que envolveria demitir 2646 funcionários da planta.
Os trabalhadores, unidos pela Confederação Sindical Coreana, tentaram negociar. Sem acordo, em 14 de maio decretaram greve e ocuparam a fábrica.
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