Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 2 de dezembro de 2021 · 2 min de leitura ·

CEO da Stellantis, dona da Fiat e Peugeot, diz que custos dos elétricos podem tornar a indústria insustentável

CEO da Stellantis, dona da Fiat e Peugeot, diz que custos dos elétricos podem tornar a indústria insustentável

O português Carlos Tavares, CEO da Stellantis afirmou em uma entrevista à agência Reuters que os custos do impulso em direção aos veículos elétricos (EVs) podem tornar a indústria automobilística insustentável.

Segundo ele, tais custos “além dos limites” para as montadoras podem significar, além da perda de empregos, a queda na qualidade dos automóveis. Nesse cenário, as fabricantes poderão cobrar preços mais altos pelos veículos (o que resultaria em vendas menores de unidades). Ou talvez as empresas possam aceitar diminuir suas margens de lucro. Ainda assim, segundo Tavares, os cortes seriam inevitáveis.

Essas palavras têm autoridade. A Stellantis é o sexto maior conglomerado automotivo do mundo, reunindo 14 marcas: Fiat, Citröen, Peugeot, Jeep, Chrysler, Dodge, Maserati, Alfa Romeo, Lancia, Open, Abarth, Vauxhall e DS Automobiles.

O CEO apontou que o impulso de toda a indústria em direção à eletrificação significa custos adicionais de 50% para uma montadora, em comparação com o que se gasta para construir um veículo movido a motor de combustão interna. “Não há como transferirmos 50% dos custos adicionais para o consumidor final, porque a maioria das partes da classe média não será capaz de pagar”, afirmou.

Para ele, a pressão externa sobre os fabricantes de automóveis buscando acelerar essa mudança ameaça empregos e qualidade dos veículos porque os produtores lutam para gerenciar os custos mais elevados da construção de EVs. Líderes sindicais na Europa e na América do Norte acompanham as observações quanto às perdas de dezenas de milhares de empregos.

Governos e investidores querem acelerar a transição para veículos elétricos, entretanto, as montadoras precisam tempo para testar e garantir que a nova tecnologia funcione, disse Tavares. De acordo com o CEO, a pressão para acelerar esse processo vai ser contraproducente, levando a problemas de qualidade.

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