Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de maio de 2022 · 2 min de leitura ·

Brasileiro participa do primeiro sequenciamento genético humano da Pompeia Antiga

Brasileiro participa do primeiro sequenciamento genético humano da Pompeia Antiga

Considerada uma das piores catástrofes da história mundial, a erupção do Monte Vesúvio, que aconteceu no ano de 79, na Itália, foi responsável pela morte de mais de 2 mil pessoas ao destruir a antiga cidade de Pompeia, no sul do país, hoje um parque arqueológico.

Há muitos anos, pesquisadores do mundo todo procuram recuperar objetos da época, numa tentativa de reconstruir o patrimônio material local. No entanto, pela primeira vez desde o grande desastre, é possível conhecer, também, um pouco do patrimônio humano, por meio da herança genética de uma das vítimas.

E essa incrível revelação faz parte de um estudo inédito conduzido por pesquisadores de instituições italianas, que conta com a participação do geneticista brasileiro Thomaz Pinotti, doutorando cotutela pelo Centro de Geogenética da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e pelo Laboratório de Biodiversidade e Evolução Molecular (LBEM), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A equipe foi capaz de sequenciar o genoma de um homem que morreu na meia-idade, revelando seu perfil genético e, até mesmo, que ele tinha sido acometido pela tuberculose durante a vida. Ele estava entre as pessoas que foram mortas pelo calor intenso das ondas piroclásticas que o vulcão expeliu devastando seus arredores, ou sufocadas pelo gás, cinzas e rochas que choveram do céu.

A princípio, acreditava-se que essas formas de morte deixariam as informações genéticas das vítimas inviáveis para análise, uma vez que altas temperaturas efetivamente destroem a matriz óssea em que o DNA reside.

“A gente brinca que o DNA é como um sorvete, dura mais tempo quando está frio. Isso porque o DNA tem que sobreviver por muito tempo, e esse processo de degradação química que ele sofre com o tempo é acelerado em temperatura alta. Por isso que é tão difícil extrair DNA antigo de amostras de climas tropicais, por exemplo”, explicou Pinotti, em entrevista ao Olhar Digital. “Como esse indivíduo foi envolto por cinzas do vulcão a 300ºC, estávamos imaginando que ele não teria uma preservação de DNA muito boa”.

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