Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Origem da vida: impacto de meteoritos na terra pode trazer respostas, indica pesquisa brasileira

Origem da vida: impacto de meteoritos na terra pode trazer respostas, indica pesquisa brasileira

Para encontrar respostas sobre a origem da vida, os cientistas não olham apenas para o que acontece dentro da Terra, mas também fora dela. Aliás, é assim que, por exemplo, a idade do mundo é medida, não apenas analisando materiais extraídos do solo do nosso planeta, mas também de asteroides que caem ou passam por ele. 

Diversos estudos já indicaram que a vida na Terra pode ter tido uma contribuição muito importante dos meteoritos e asteroides que caíram aqui há milhões de anos. Já que os materiais deixados podem ter sido fundamentais na formação dos seres vivos. Pensando nisso, uma pesquisa brasileira simulou o impacto de um meteorito no nosso planeta para entender a estrutura das moléculas após a queda e se haveria ou não a geração de proteínas.

Para alcançar o feito, pesquisadores da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (FCA-Unicamp) contaram com a ajuda de cientistas da Kyushu University, no Japão. A instituição japonesa tem histórico na área e foi responsável pela análise do meteorito Ryugu, encontrado na Terra em dezembro de 2020, como foi noticiado pelo Olhar Digital recentemente. 

A simulação do impacto dos meteoritos na Terra foi feita em pequena escala utilizando uma técnica inédita. Os cientistas pegaram uma pequena quantidade de aminoácido glicina e submeteram à mostra em um HTC (método de altíssima pressão e torção na tradução para o português).

 O resultado foi surpreendente: a glicina não gerou uma proteína sob as condições testadas, mas explodiu com tal força que chegou a danificar parte do equipamento utilizado na simulação, sendo parcialmente decomposta em etanol e outros subprodutos ainda não identificados. Ou seja, ela não gerou proteínas.

“O resultado foi uma novidade, porque normalmente estamos preocupados com a reação inversa, de formação de glicina, não com sua degradação e geração de subprodutos. Os dados podem explicar a presença de etanol em alguns ambientes no meio astrofísico”, explica Douglas Galante, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e colaborador da pesquisa à FAPESP.

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