
Uma nova pesquisa indica que oceanos escondidos em planetas extraterrestres podem receber nutrientes de um tipo de “gelo exótico”, ampliando o potencial para que esses planetas tenham características de geração de vida.
O tal “gelo exótico” é conhecido como “Gelo VII” (já falamos sobre as inúmeras variações de gelo, e suas diferenças, aqui no Olhar Digital). Nós conseguimos reproduzi-lo em laboratório por meio de experimentos que manipulam a pressão incidida no gelo comum, efetivamente reagrupando o oxigênio e o hidrogênio dentro dele.
Basicamente, exoplanetas com água são incrivelmente comuns no espaço – vários planetas do sistema TRAPPIST-1, por exemplo, a tem em abundância. A diferença é que a pressão exercida nesses planetas tende a ser muitas e muitas vezes mais variada que a da Terra, para menos e para mais. Nestes planetas de mais pressão, a água é comprimida e compactada com tanta força que acaba levando à geração de formas sólidas diferenciadas – como o “gelo VII”.
De acordo com os cientistas do European Synchrotron Radiation Facility, na França, uma dúvida permanecia: materiais como o sal são normalmente repelidos pela água quando ela congela, então como sais minerais e outros nutrientes estavam deixando os núcleos desses planetas, atravessando o manto feito de gelo VII e chegando aos oceanos? Mais ainda, como esses sais estavam fazendo o caminho de volta?
“O transporte do sal não seria feita apenas de baixo para cima, mas também de cima para baixo”, disse Jean-Alexis Hernandez, cientista que liderou a pesquisa. “O gelo quente no fundo do manto se torna gravitacionalmente instável porque, sendo ele mais quente, também é menos denso que o gelo em volta, o que o faz subir. Um fluxo global se desenvolve e é mantido pela diferença de temperatura entre o topo e o fundo do manto”.
Hernandez explica que, na prática, é esse fluxo temperado que cria um efeito bioquímico que, embora não garanta a existência de vida nesses planetas, aumentam as chances de que eles sejam habitáveis.
Entre para comentar.