Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Plano da NASA para trazer amostras de Marte causa preocupação em audiência; agência garante segurança

Plano da NASA para trazer amostras de Marte causa preocupação em audiência; agência garante segurança

A Perseverance chegou a Marte em 2021 com o intuito de encontrar amostras de materiais que indiquem a existência de vida, pelo menos em um passado remoto, no planeta vermelho. No entanto, a parte mais ousada desse plano é uma missão da NASA que deve trazer à Terra pedras coletadas pelo rover. 

Isso não deve acontecer tão cedo, a agência espacial ainda detalha o plano que tem previsão de ocorrer em meados de 2033 e envolve a construção de uma instalação segura para armazenar o material coletado não esterilizado. Já que se a ideia é encontrar elementos que indiquem a presença de vida, esterilizar as amostras pode mandar tudo por água abaixo. 

No entanto, existem preocupações com possíveis consequências que essas amostras não esterilizadas de Marte podem trazer para a Terra, incluindo patógenos e microbios alienígenas. Em uma audiência aberta sobre o plano, a NASA relatou que a estratégia é segura e o risco de algum patógeno se espalhar entre humanos dessa forma é “extremamente baixo”.

“Acreditamos que este seja o próximo passo lógico em nossa busca para eventualmente pousar humanos na superfície de Marte”, disse Thomas Zurbuchen, astrofísico e chefe de ciência da NASA. O especialista também explicou que essas amostras são “a melhor oportunidade para revelar a evolução inicial de Marte, incluindo o potencial”.

Durante a audiência, algumas pessoas do público, incluindo médicos e engenheiros, perguntaram sobre o risco que as amostras podem trazer para a Terra. “Estudadas fora do mundo e remotamente devido ao risco de contaminação planetária. Mesmo que o risco seja mínimo, nada acima de 0% de chance deve ser trazido de volta à Terra”, disse um comentário.

Nathan Yee, professor e ex-funcionário da NASA, disse que as amostras não possuem a capacidade de se conectarem tão facilmente ao corpo humano. “Tem que haver um longo, longo tempo de evolução para que os micróbios aprendam a interagir e se ligar às células animais, entrar nas células animais e usar a maquinaria de uma célula animal para se replicar”, explicou. No entanto, ele diz que caso as amostras tenham “restos de vidas passadas”, isso pode ser um problema.

Compartilhe