Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 3 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

“Trump Australiano” compra Mercedes de Adolf Hitler, mas não consegue levar para casa

“Trump Australiano” compra Mercedes de Adolf Hitler, mas não consegue levar para casa

A Mercedes 770K Grosser Offener Tourenwagen de 1939, limusine blindada que pertenceu a Adolf Hitler, não deve chegar às mãos de um possível novo proprietário, um famoso colecionador bilionário australiano.

O comprador é empresário Clive Palmer – conhecido como “Trump Australiano” (o que ele gosta) ou wannabe de Trump (o que ele não gosta). É um político e magnata, com negócios no mercado de minério de ferro, carvão e níquel, com uma fortuna estimada em US$ 9 bi. Em 2013, ele teve seu momento nos holofotes ao dizer que construiria o Titanic II – e ser eleito deputado. O projeto afundou, mas sua carreira política prossegue (mais ao final).

Palmer diz que o carro seria parte de um museu privado com 600 carros históricos, que ele vem adquirindo nos últimos meses. Esse, ele diz, será o maior museu automobilístico do mundo – o atual campeão, a Cité de L’Automobile, na França, tem 500 exemplares, mas o Sultão de Brunei tem 7 mil em sua coleção privada. A Mercedes de Hitler seria provavelmente seria a atração central nesse museu.

As objeções a trazer a limusine de Hitler para a Austrália vão além do óbvio, de ser um potencial símbolo do movimento político mais odioso da história humana. Ainda que não exista lei que impeça um carro ou outro objeto pertencente a Hitler de entrar no país, sua exibição pública tem status discutível – a Australia costuma ser estrita nesse tipo de assunto, mas outras Mercedes que pertenceram a Hitler estão em museus pelo mundo.

São mais as sanções contra a Rússia que atingem o comprador, porque a Mercedes foi adquirida de um bilionário russo não revelado. E há uma coisa bem mais corriqueira: o carro, como outros veículos do passado, tem partes de amianto, material cancerígeno banido na Austrália. Assim que as notícias da aquisição se espalharam, a ministra do Interior, Karen Andrews, pediu uma investigação ambiental.

O amianto foi amplamente utilizado em freios e peças de motor ao longo da história, e quem na Austrália adquire carros clássicos sem substituir essas peças enfrenta multas enormes.

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