Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Cientistas propõem calendário “livre de religiões” para estudos do espaço

Cientistas propõem calendário “livre de religiões” para estudos do espaço

Cientistas da Academia Chinesa de Tecnologia do Espaço argumentam a favor de um calendário de exploração espacial “livre de religiões”, afirmando em estudo que o uso de mecanismos centralizados em conceitos de fé – como calendários “antes” ou “depois de Cristo”, entre outras marcações, criam desafios desnecessários para analisar a passagem do tempo em outros planetas.

Segundo o estudo, os especialistas da academia afirmam a necessidade de se criar um método livre de dogmas de fé, baseando o “início do tempo” na frequência de sinal de um pulsar, nome mais específico comumente usado para se referir a uma estrela de nêutrons.

Pode parecer um assunto minoritário, mas isso é porque a passagem do tempo é algo perfeitamente medido para nós – desde que dentro dos padrões da Terra. Fazer isso em Marte, por exemplo, é mais complicado: um sinal de rádio de lá para cá leva, em média, oito a 22 minutos para completar a viagem. Fora isso, a velocidade relativa dos dois planetas está em constante mudança, o que complica ainda mais o processo de medir o tempo.

Desta forma, os cientistas sugerem usar como mecanismo de contagem o centro de massa do sistema solar como ponto de origem de coordenadas para determinar localizações no espaço. Desta forma, um pulso emitido por uma estrela de nêutrons pode ajudar a definir o começo da contagem de tempo a partir do momento em que este pulso chega ao centro de massa.

Isso porque, na Terra, usamos alguns padrões que servem para nós, que estamos dentro deles: o meridiano de Greenwich nos ajuda a controlar fusos-horários, um sistema de coordenadas baseado em latitude e longitude nos permite cruzar referências de tempo e posição, e o calendário gregoriano – determinado pelo nascimento de Jesus Cristo – “zerou” a contagem de anos e inverteu o que veio antes (é por isso que contamos os anos de “a.C” em ordem regressiva; e o “d.C” na ordem progressiva).

“O ponto inicial do tempo usado pelo calendário gregoriano é relacionado à uma religião”, disseram os pesquisadores por trás do estudo. “Um novo tipo de [marcação do] tempo é necessário para os cálculos fora da Terra”. O único problema, de acordo com os especialistas, seria escolher o pulso específico de uma estrela de nêutrons para servir como elemento constante.

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