Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 10 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

IPI teve corte, mas queda no preço dos carros foi uma mixaria. Montadoras estão nos passando para trás? Entenda

IPI teve corte, mas queda no preço dos carros foi uma mixaria. Montadoras estão nos passando para trás? Entenda

No fim de fevereiro, o governo federal anunciou uma redução de 18,5% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis e veículos comerciais leves. E, embora a notícia parecesse boa à primeira vista, o que se vê na prática por ora é uma depreciação extremamente discreta no valor dos modelos zero km, que virou até piada por parte do público consumidor.

Nos modelos da Kia, por exemplo, o Sportage passou de R$ 182.990 para R$ 179.590 e o Cerato de R$ 132.990 para R$ 130.490. Uma barbada, não? A Honda acaba de anunciar também uma redução no City e City Hatch, de R$ 108.300 para R$ 106.300 e R$ 114.200 para R$ 112.100, respectivamente. Alguns fabricantes até mesmo aumentaram o preço, como são os casos de Nivus, T-Cross e Taos, da Volkswagen.

Mas enfim, isso significa que a redução do IPI foi um fiasco? Os fabricantes embolsaram? O que houve, então, para que a redução do IPI surtisse pouco efeito no valor dos carros?

Há diversas razões por que 18,5% a menos no IPI não se traduz nem de longe em 18,5% a menos no preço do carro. Porque é uma redução percentual de um percentual. Isto é, se o imposto era 10%, a redução são, 1,85 pontos percentuais, para 8,25%.

E esse valor base não se dá de forma uníssona. Há diversas escalas de dedução, que são definidas com base na motorização e no tamanho do modelo.

Por exemplo: um carro popular, com motor a gasolina 1.0, teve a tributação reduzida de 7 para 5,7%. Já um modelo com propulsão a gasolina acima de 2 litros sofreu uma redução bem maior, de 25% para 20,4%, enquanto um carro elétrico com eficiência energética de até 0,66 MJ/Km teve um recuo de 10 para 8,2%. A variabilidade de escalas na redução é enorme, como pode ser visto na tabela divulgada pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) abaixo.

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