Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 29 de março de 2022 · 3 min de leitura ·

Criação de frente no Senado é chance de conscientizar opinião pública sobre eletromobilidade, diz presidente da ABVE

Criação de frente no Senado é chance de conscientizar opinião pública sobre eletromobilidade, diz presidente da ABVE

A criação de uma Frente Parlamentar Mista pela Eletromobilidade no início de março abriu espaço para um debate mais aprofundado sobre a adoção dos carros elétricos no Brasil. Aprovada por meio do PRS (projeto de resolução) 64/2021, do senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL), a frente pode se tornar um catalisador de iniciativas para conscientizar a opinião pública, na avaliação do presidente da ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos), Adalberto Maluf, mesmo sem a existência de uma política nacional para o tema.

“O Brasil ainda é o quarto maior fabricante de veículos pesados do mundo e o sétimo ou oitavo fabricante de leves, então, temos uma indústria importante que precisa fazer essa transição”, explicou o executivo, em entrevista exclusiva ao Olhar Digital. “Nesse sentido, estamos preocupados com a falta de inserção do Brasil nas cadeias produtivas globais.”

Atualmente, o Brasil conta com algumas iniciativas no caminho para a descarbonização da indústria automotiva. Em oito Estados — São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Piauí, Maranhão e Ceará —, os proprietários de carros movidos a bateria já contam, por exemplo, com isenção de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores). Em São Paulo, o desconto chega até R$ 2.996,27.

No entanto, para Maluf, não se trata apenas de falar sobre impostos. É necessário pensar a infraestrutura para carros elétricos como um todo e, por conta disso, a importância da frente pela eletromobilidade. “Precisamos pensar em infraestrutura de recarga, uso de veículo elétrico na rede inteligente, regulação para levíssimos e melhoria do transporte público”, disse o executivo. “A Frente pode ser um catalisador também nesse sentido.”

Embora exista um interesse do Legislativo em criar um ambiente mais favorável para a mobilidade elétrica no Brasil, o abandono do governo federal em políticas desse tipo acaba dificultando perspectivas em curto ou médio prazo para o país. Iniciativas como a Rota 2030, por exemplo, que apoia o desenvolvimento tecnológico e a eficiência energética por meio de isenção fiscal para as montadoras, são salutares nesse caminho, mas ainda dependem de decisões políticas para terem efeitos práticos no mercado.

Nesse sentido, Maluf crê que a Frente pela Eletromobilidade pode ser interessante para criar uma linha de base para mapear os desafios e as oportunidades para a indústria no país. No entanto, sem um posicionamento do governo federal, a questão corre risco de perder tração. Políticas estatais — e ele cita como iniciativas interessantes o governo americano com o Green New Deal e a União Europeia com a proibição dos carros com motor de combustão — são fundamentais para fomentar os modelos eletrificados.

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