Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Saiba como o Telescópio James Webb vai revelar os buracos negros supermassivos do universo

Saiba como o Telescópio James Webb vai revelar os buracos negros supermassivos do universo

Embora seja o mais moderno observatório espacial de todos os tempos, nem mesmo o telescópio James Webb é capaz de ver buracos negros supermassivos diretamente, mas isso não significa que os astrônomos não possam usar seus dados para entender melhor esses misteriosos e famintos gigantes cósmicos.

Segundo a NASA, Webb será capaz de observar essas estruturas indiretamente – e já está fazendo isso, na verdade. Em uma das primeiras imagens captadas pelo observatório, vemos o Quinteto de Galáxias de Stephan, um aglomerado galáctico localizado na constelação de Pegasus. Nela, os astrônomos conseguem ver um buraco negro supermassivo – ou melhor, a luz liberada pela matéria aquecendo e caindo em seu interior.

“A imagem que mostramos do Quinteto de Stephan é linda, e diz tantas coisas em uma foto”, disse John Mather, do Goddard Space Flight Center da NASA, cientista sênior do programa do Telescópio Espacial James Webb (JWST), durante uma coletiva de imprensa realizada na semana passada pelo Comitê de Pesquisa Espacial (COSPAR), criado durante o Conselho Internacional de Ciência de 1958.

De acordo com o Instituto de Ciência dos Telescópios Espaciais da NASA (STScI), o buraco negro identificado na imagem, também chamado de núcleo galáctico ativo por sua posição no coração da galáxia NGC 7319, tem cerca de 24 milhões de vezes a massa do Sol.

Segundo o site Space.com, a imagem combina fotos feitas tanto pela Câmera Infravermelha Próxima (NIRCam) quanto pelo Instrumento Infravermelho Médio (MIRI). Esses instrumentos não apenas capturam fotografias, como também reúnem o que os cientistas chamam de cubos de dados, que incorporam imagens e análises espectrais, uma técnica que identifica quanta luz de um determinado comprimento de onda vem de uma fonte.

Os resultados permitiram que os cientistas separassem a nuvem ao redor do buraco negro supermassivo, identificando o quanto de produtos químicos particularmente interessantes está localizado em cada lugar. “Estamos testando o ambiente de um buraco negro”, disse Mather sobre essas observações. “Temos agora imagens da forma da nuvem de hidrogênio, nuvem de ferro, nuvem de hidrogênio atômico, hidrogênio molecular, enquanto orbitam ao redor ou caem no campo gravitacional do buraco negro”.

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