Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de julho de 2022 · 3 min de leitura ·

“É melhor do que esperava”, diz brasileiro que trabalhou no James Webb sobre as primeiras imagens do telescópio

"É melhor do que esperava", diz brasileiro que trabalhou no James Webb sobre as primeiras imagens do telescópio

A divulgação das primeiras imagens do telescópio espacial James Webb foi um momento histórico para a astronomia. Astrônomos e entusiastas em todos os cantos do mundo se impressionaram com as fotos que são apenas a ponta do iceberg do que esse poderoso equipamento é capaz de fazer. Se quem está do lado de fora ficou impactado, imagina quem está envolvido diretamente com o projeto? O Olhar Digital entrevistou Christopher Willmer, astrônomo brasileiro que atuou no desenvolvimento do James Webb.

Willmer é formado em astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalha no James Webb desenvolvendo a Near Infrared Camera (NIRCam) dispositivo infravermelho do maior telescópio espacial já produzido. O astrônomo conta que atuou por mais de uma década no desenvolvimento do recurso e hoje segue trabalhando na seleção de dados com o telescópio já na ativa.

“É melhor do que a gente esperava”, disse ele quando perguntado sobre as imagens divulgadas. O astrônomo conta que viu as fotos junto com todo mundo e só uma parte pequena da equipe teve acesso antecipado às imagens. O resultado, ele garante que é superior aquilo que se imaginava para uma primeira leva de divulgação, mas que o telescópio pode fazer mais do que isso.

Um dos fatores mais impressionantes do James Webb é justamente o seu potencial ainda não totalmente descoberto. Esse é o ponto crucial da missão. Willmer explica que, apesar de ter objetivos definidos, a parte mais interessante pode estar justamente naquilo que não temos muita ideia do que será mostrado pelo telescópio em seu tempo de operação. “Todos esses telescópios acabam revolucionando o conhecimento da gente porque quando você constrói você tem uma visão do que pode ser feito e na medida em que vai observando você vai adquirir novos conhecimentos”, declara.

O telescópio espacial James Webb é o sucessor espiritual do Hubble, o mais famoso e longevo telescópio que a humanidade levou ao espaço. Ele também é o projeto mais caro da história da NASA, custando mais de 10 bilhões de dólares e contando com a participação de agências espaciais do mundo inteiro.

Até mesmo a capacidade de permanência do James Webb em atividade não era totalmente conhecida até o lançamento. Segundo Willmer, e a própria NASA, o tempo de trabalho previsto para o telescópio é de cerca de 20 anos, o dobro do esperado inicialmente. Isso se deu principalmente por conta de tecnologias aprimoradas e do lançamento perfeito, que economiza combustível.

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