Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de agosto de 2022 · 2 min de leitura ·

Nível de radiação vinda de fora do Sistema Solar é o mais baixo em seis anos

Nível de radiação vinda de fora do Sistema Solar é o mais baixo em seis anos

Dados coletados por balões meteorológicos do Spaceweather.com e do Earth to Sky Calculus, que medem a força dos raios cósmicos na atmosfera superior, apontam que os níveis de radiação na camada acima do estado norte-americano da Califórnia caíram mais de 15% em relação a 2021. Isso representa o índice mais baixo dos últimos seis anos.

Segundo o levantamento, houve uma queda repentina nos níveis de raios cósmicos a partir de outubro do ano passado, sendo que em 23 de julho deste ano, o número atingiu sua taxa mais baixa desde 2016.

Raios cósmicos são partículas de alta energia viajando quase à velocidade da luz, tendo sido ejetadas de galáxias distantes e supernovas de milhões de anos atrás. Os cientistas explicam que essa tendência de diminuição nos níveis de raios cósmicos é esperada, conforme o ciclo solar evolui em direção ao seu próximo pico (máximo solar).

A atividade solar segue ciclos de 11 anos, sobre os quais a frequência de tempestades solares e outras ejeções varia significativamente. Durante o máximo solar, há uma grande constância, caindo para menos de um por semana durante o mínimo solar. O mínimo solar mais recente foi em dezembro de 2019.

“Os raios cósmicos do espaço profundo são repelidos pela atividade solar; quando um sobe, o outro desce”, explica um comunicado do Earth to Sky Calculus, um grupo de entusiastas da ciência do ensino médio da Califórnia.

Mike Hapgood, chefe do Grupo de Meio Ambiente Espacial do RAL Space, no Reino Unido, explicou que isso tudo tem a ver com a incidência dos ventos solares. “O que faz com que os fluxos de raios cósmicos mudem é o nível de irregularidades no vento solar, especificamente as irregularidades nos campos magnéticos que o vento solar leva para longe do Sol”, disse ele em entrevista ao Newsweek. “Essas estruturas magnéticas dispersam raios cósmicos vindos do meio interestelar, e se a dispersão aumentar, ela desviará mais raios cósmicos do sistema solar interior, incluindo a Terra”.

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