Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de setembro de 2022 · 2 min de leitura ·

Buraco negro mais próximo da Terra já encontrado pode ter sido identificado

Buraco negro mais próximo da Terra já encontrado pode ter sido identificado

Em um estudo hospedado no servidor de pré-impressão arxiv e já aceito para publicação pelo Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, uma equipe internacional de pesquisadores se baseou em dados do Observatório Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA) para analisar uma estrela semelhante ao Sol que tem características orbitais estranhas.

Devido à natureza de sua órbita, a equipe concluiu que ela deve fazer parte de um sistema binário com um buraco negro, que vem a ser o mais próximo do nosso Sistema Solar. Isso reforça a ideia da existência de uma população considerável de buracos negros adormecidos na Via Láctea.

Liderada por Kareem El-Badry, astrofísico da Sociedade de Bolsistas de Harvard, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica (CfA) e do Instituto Max Planck de Astronomia (MPIA), a pesquisa foi acompanhada por pesquisadores de diversas instituições do mundo. 

El-Badry explicou ao site Universe Today que essas observações eram parte de uma campanha mais ampla para identificar companheiros de buracos negros adormecidos em estrelas normais na Via Láctea. “Tenho procurado buracos negros adormecidos nos últimos quatro anos usando uma ampla gama de conjuntos de dados e métodos”, disse ele. “Minhas tentativas anteriores revelaram uma variedade de binários que se disfarçam de buracos negros, mas esta foi a primeira vez que a busca deu frutos”.

O satélite Gaia passou quase uma década medindo as posições, distâncias e movimentos adequados de quase 1 bilhão de objetos astronômicos, como estrelas, planetas, cometas, asteroides e galáxias. Ao rastrear o movimento dos objetos à medida que orbitam o centro da Via Láctea (uma técnica conhecida como astrometria), a missão visa construir o catálogo espacial 3D mais preciso já criado.

Para seus fins, El-Badry e sua equipe examinaram todas as 168.065 estrelas na Gaia Data Release 3 (GDR3) que pareciam ter órbitas de dois corpos. Sua análise encontrou um candidato particularmente promissor: um tipo G (estrela amarela), designado Gaia DR3 4373465352415301632 – que a equipe preferiu chamar de Gaia BH1. Com base em sua solução orbital observada, os cientistas determinaram que a estrela deve ter um companheiro binário de buraco negro. 

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