Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de setembro de 2022 · 2 min de leitura ·

Dinossauros estariam aqui até hoje se não fosse o asteroide? Não é bem assim

Dinossauros estariam aqui até hoje se não fosse o asteroide? Não é bem assim

Um novo estudo sugere que o destino dos dinossauros já estava traçado mesmo antes do meteorito que atingiu a Terra há cerca de 66 milhões de anos atrás e que causou a erupção de vulcões e alterou as temperaturas globais.

Em entrevista ao South China Morning Post, o autor da pesquisa Qiang Wang, da Academia Chinesa de Ciência, disse que a extinção dos dinossauros se deu de forma gradual, ao longo de milhões de anos, e não através de um evento isolado.

A nova pesquisa sugere que a biodiversidade dos dinossauros já estava desaparecendo há pelo menos dois milhões de anos da completa extinção dos dinossauros, no final do período Cretáceo. Essas conclusões foram baseadas em uma coleção de fósseis de ovos, incluindo vários ovos de dinossauro completos e incompletos, preservados em camadas de rocha de 150 metros de espessura, na China Central. Estima-se que os fósseis tenham sido depositados ali há quase 70 milhões de anos.

Apesar de a Bacia de Shanyang, onde os fósseis de ovos foram encontrados, ser o lar de um dos registros de dinossauros mais abundantes do final do período Cretáceo, os pesquisadores encontraram apenas três tipos de casca de ovos de dinossauros ali. Essa situação pode ser um indício de uma clara queda na biodiversidade entre os dinossauros em comparação com os registros fósseis mais antigos.

Se esse declínio já era verificado mesmo antes do asteroide Chicxulub, a suspeita é de que a capacidade coletiva dos dinossauros, que permite sua recuperação e manutenção, já estava enfraquecida. O chicxulub acentuou e escancarou esse enfraquecimento, pois com os dinossauros não foram capazes de se adequar às mudanças provocadas pelo asteroide.

Além disso, a equipe de pesquisa observa com razão que a extinção dos dinossauros permanece contestada por uma série de razões. Dentre eles há os vieses amostrais no registro fóssil, as diferentes abordagens analíticas usadas e a datação geocronológica de alta precisão.

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