Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de setembro de 2022 · 2 min de leitura ·

Guerras perturbam a natureza permanentemente, aponta estudo

Guerras perturbam a natureza permanentemente, aponta estudo

Pesquisadores alemães estudaram os efeitos dos grandes declínios de mamíferos — causados por uma guerra civil e pela caça ilegal — na composição das espécies de lagoas de savanas na África. Eles descobriram que a morte de herbívoros de grande porte levou a mudanças significativas dentro desses pequenos ecossistemas de água doce.

O pesquisador Guillaume Demare, da Universidade Livre de Berlim, conduziu o estudo, que foi publicado nesta quinta-feira (29) na revista Global Change Biology, como parte de seus estudos de doutorado.

A pesquisa de Demare e sua equipe mostra o quão fortemente diferentes ecossistemas estão interconectados, as extensas consequências que o desaparecimento das espécies tem e como as guerras perturbam a natureza a longo prazo.

Eles se concentraram nos anfíbios de savana do Parque Nacional de Comoé, na costa norte do Marfim, África Ocidental, usando dados coletados antes e depois das mudanças no ecossistema.

“Coletar dados sobre o estado dos ecossistemas, tanto passado quanto presente, é absolutamente essencial se quisermos entender os efeitos ecológicos complexos em nosso mundo em mudança”, diz Mark-Oliver Rödel, pesquisador do Museu de História Natural de Berlim e coautor do artigo.

Os primeiros dados foram coletados na década de 1990. Cerca de 10 anos depois, uma guerra civil eclodiu na Costa do Marfim. Durante esse tempo, o parque ficou desprotegido. Dessa forma, a caça furtiva intensificou-se a tal ponto que o Parque Nacional de Comoé foi declarado Patrimônio Mundial em Perigo pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Compartilhe