Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de setembro de 2022 · 2 min de leitura ·

Novas evidências da presença de água líquida em Marte

Novas evidências da presença de água líquida em Marte

Os cientistas deram mais um passo na busca por água em Marte. Uma exame revelou novas evidências da possível existência de água líquida sob a calota polar sul do planeta. A pesquisa liderada por integrantes da Universidade de Cambridge foi feita a partir de medidas da superfície do bloco de gelo, cujo objetivo era identificar padrões sutis em sua altura.

Os padrões encontrados correspondem às previsões do modelo de computador de como um corpo de água sob a calota de gelo afetaria a superfície. Esse resultado, publicado na Nature Astronomy, vai ao encontro das medições anteriores, interpretadas para mostrar uma área potencial de água líquida sob o gelo.

Alguns debates surgiram a respeito dos dados, pois há quem considere que eles não representam um sinal de radar que indica água líquida. Segundo o professor Neil Arnold, do Instituto de Pesquisa Polar Scott de Cambridge, que liderou a pesquisa, “a combinação da nova evidência topográfica, os resultados do nosso modelo de computador e os dados do radar tornam muito mais provável que pelo menos uma área de água líquida subglacial exista em Marte hoje, e que Marte ainda deve ser geotermicamente ativo para manter a água sob o líquido da calota de gelo”.

Assim como acontece na Terra, Marte também apresenta camadas de gelo em seus polos. Outra similaridade está no volume de gelo acumulado, que é equivalente ao manto de gelo da Groenlândia. Porém, ao contrário das camadas de gelo da Terra, que estão submersas e envolvidas por canais cheios de água e até mesmo por grandes lagos subglaciais, as calotas polares em Marte até recentemente eram consideradas solidamente congeladas por conta do frio marciano.

Novas evidências surgidas em 2018 desafiaram essa suposição. O satélite enviado pela Agência Espacial Europeia (ESA), para sondar o planeta vermelho, revelou que uma área na base do gelo refletia fortemente o sinal do radar. Essa área foi interpretada como uma região de água líquida sob a calota de gelo.

Dadas as condições climáticas frias, a água líquida sob a calota de gelo exigiria uma fonte de calor adicional, como o calor geotérmico vindo de dentro do planeta, em níveis acima dos esperados para Marte nos dias de hoje. Sendo assim, essa hipótese ficou à espera de uma outra linha de evidência independente.

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