Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de outubro de 2022 · 2 min de leitura ·

Temperatura mais baixa do universo foi alcançada em laboratório; entenda como

Temperatura mais baixa do universo foi alcançada em laboratório; entenda como

Qual é a temperatura mais baixa que você é capaz de imaginar? O menor índice registrado na Terra foi de -89,2ºC, na Antártica. Isso pode parecer muito frio (e é), mas está longe de ser a menor temperatura do universo. Em alguns lugares da Lua, por exemplo, essa medida chega a -200ºC.

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, uma equipe internacional de cientistas conseguiu chegar a uma taxa ainda menor, alcançando a mais baixa temperatura já medida em todo o espaço interestelar. Pesquisadores da Universidade Rice, nos EUA, e da Universidade de Kyoto, no Japão, atingiram, em laboratório, uma temperatura três bilhões de vezes mais fria do que qualquer uma já aferida no cosmos: eles ficaram a um bilionésimo de um grau de atingir o zero absoluto na escala Kelvin, ou seja, -273,15ºC.

Um dos autores do experimento e do artigo que o descreve, publicado na revista Nature Physics, é ​​o cientista mexicano Eduardo Ibarra García Padilla que, após concluir seu doutorado na Universidade Rice, é agora pesquisador de pós-doutorado em Física Atômica na Universidade da California-Davis, também nos EUA.

Segundo Ibarra, existem estados da matéria que só são acessíveis nas temperaturas mais baixas. “Alcançar essas temperaturas e esses estados nos permitirá entender melhor problemas da Física como a supercondutividade em óxidos de cobre, que terão importantes aplicações tecnológicas”.

Ibarra explica que sua equipe usou lasers para resfriar a níveis extremos os átomos de um elemento químico conhecido como itérbio, aplicando técnicas de resfriamento evaporativo. “O resfriamento evaporativo é como quando você toma uma sopa muito quente. O que você faz é soprar a sopa. Com isso, se remove as partículas mais quentes”, compara. “Os experimentos fizeram algo parecido: no primeiro, utilizamos uma armadilha de luz onde os átomos são presos; no segundo, removemos os átomos mais quentes para resfriar o sistema”.

Nessa técnica, os fótons do laser são absorvidos pelos átomos, fazendo com que eles atinjam um estado de energia mais alto. Os átomos então emitem fótons e decaem espontaneamente de volta ao seu estado inicial. Como essa interação depende da velocidade dos átomos, e como os fótons lhes conferem momento, repetir muitas vezes esse ciclo de absorção-emissão leva ao resfriamento dos átomos.

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