Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de outubro de 2022 · 2 min de leitura ·

Bactéria carnívora e “água de cerveja”: os resultados da passagem do Furacão Ian

Bactéria carnívora e "água de cerveja": os resultados da passagem do Furacão Ian

As consequências furacão Ian, que assolou o litoral da América Central e América do Norte, ainda são vistas pelo estado da Flórida (EUA). Segundo a CBS News, houve aproximadamente 20 relatos de problemas ambientalmente perigosos estimulados pelo landfall do furacão. Além disso, órgãos de saúde pública apontam para o aumento de uma bactéria carnívora no condado de Lee.

Entre os relatos registrados pela CBS está o vazamento de combustíveis, como diesel, gasolina e ácido de bateria. Além disso, um gasoduto está liberando cerca de 2.300 galões de alvejante e uma “lama verde desconhecida” causando problemas respiratórios em áreas residenciais.

O diretor executivo do Programa de Estuário da Baía de Sarasota, Dave Tomasko, declarou em entrevista para a CBS que o local, nesta época do ano, normalmente tem a “água azul-esverdeada, linda”. Porém, após a tempestade, o cenário deslumbrante ficou completamente diferente. Tomasko disse que, agora, “parece cerveja de raiz, cheira a peixe morto enrolado em adubo”.

No interior de um complexo de apartamentos, o cheiro é tão ruim que invade o interior das casas, fazendo com que pelo menos um morador saia devido a problemas respiratórios. Aparentemente, as autoridades de emergência não conseguem ajudar esses moradores.

O presidente da associação de proprietários do complexo, Stanley Rupinski, disse à CBS que tentou entrar em contato com as autoridades para falar sobre o caso, mas foi ignorado. “Isso é algo que está realmente além do nosso controle. Não há realmente nada que possamos fazer como pessoas para tirar isso daqui”, lamentou Rupinski.

Os cientistas que trabalhavam no solo, como Tomasko, ficaram igualmente horrorizados com as repercussões do furacão Ian. Diante dos resultados obtidos pela coleta de amostras de água da costa do estado, o diretor teme que os níveis de oxigênio, já esgotados no fundo das camadas de água, possam culminar em uma redução mais abrupta, como a sofrida após o furacão Charley em 2004. Tomasko disse que agora a situação é ainda pior, pois “nós realmente não sabemos o que isso vai fazer, não sabemos o quão resistentes nossos sistemas serão”, acrescentou.

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