Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de outubro de 2022 · 2 min de leitura ·

Homens em Marte? Como as algas podem nos ajudar

Homens em Marte? Como as algas podem nos ajudar

Existem muitos fatores a serem considerados em relação a uma possível futura exploração humana em Marte. Diferentemente de equipamentos robóticos, como um rover, um drone ou uma sonda, um ser humano necessita, apenas para dizer o básico, de oxigênio para respirar e comida para se alimentar. Isso, sem falar dos efeitos que uma viagem tão longa e atípica ao espaço profundo pode causar no organismo de um astronauta.

São desafios como esses que a geoquímica da Universidade de Nevada-Las Vegas (UNLV) Libby Hausrath, cientista da equipe da missão Mars 2020 da NASA, e a pesquisadora de pós-doutorado Leena Cycil, bióloga especializada em ecologia microbiana, vêm explorando. E a chave para alguns desses impasses está, segundo elas, nas algas extremófilas.

Esse tipo de alga é conhecido por sua capacidade de prosperar em ambientes extremos, como montanhas de neve de altíssimas altitudes ou lagos hipersalinos. Essas plantas consomem dióxido de carbono (CO2), que utilizam para produzir oxigênio. E o ar marciano é 98% composto por CO2, também chamado de gás carbônico. Além disso, as algas são comestíveis e ricas em nutrientes. 

“Se quisermos realizar a exploração espacial a longo prazo com pessoas no lugar de rovers e sondas, isso exigirá o desenvolvimento de um sistema de suporte de vida autossustentável — alimentos e ar respirável”, disse Leena.

Até agora, a equipe identificou três espécies de algas que obtêm crescimento substancial em condições extremas. Elas usaram uma câmara a vácuo de baixa pressão para simular a pressão atmosférica de Marte e a cobriram com uma placa de vidro temperado para permitir a entrada de uma quantidade de luz equivalente à metade da exposição solar presente na Terra.

As três cepas de algas são: Dunaliella salina, que é tipicamente encontrada em todo o mundo em lagos de água salgada; Cloroonas brevispina, que existe em ambientes nevados,  e Chlorella vulgaris, usada principalmente como suplemento proteico e frequentemente encontrada em habitats naturais de água doce.

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