Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de outubro de 2022 · 2 min de leitura ·

“Conan, a Bactéria” poderia sobreviver por milhões de anos em Marte

“Conan, a Bactéria” poderia sobreviver por milhões de anos em Marte

Um estudo publicado nesta terça-feira (25) na revista científica Astrobiology afirma que um dos micróbios mais resistentes da Terra poderia sobreviver em Marte, adormecido abaixo da superfície, por 280 milhões de anos. Essa descoberta aumenta a probabilidade de que a vida microbiana ainda possa existir no Planeta Vermelho.

Apelidado de “Conan, a Bactéria”, Deinococcus radiodurans é um dos microrganismos mais resistentes do mundo, capaz de sobreviver mesmo quando sujeito a radiação forte o suficiente para matar qualquer outra forma de vida conhecida. 

Liderada por Michael Daly, professor de patologia na Universidade das Ciências da Saúde em Maryland, nos EUA, e membro do Comitê Nacional de Proteção Planetária da Academia Nacional, a pesquisa testou meia dúzia de micróbios e fungos — todos extremófilos, ou seja, capazes de viver em ecossistemas hostis o bastante para matar outros seres — para ver quanto tempo poderiam sobreviver em um ambiente que simulava as latitudes médias de Marte. 

Durante os experimentos, os organismos enfrentaram temperaturas de até 63 graus Celsius negativos e exposição à luz ultravioleta, raios gama e prótons de alta energia imitando o bombardeio constante de Marte pela luz solar e pela radiação cósmica do espaço.

Depois disso, a equipe mediu a quantidade de antioxidantes de manganês que haviam acumulado nas células dos micróbios. Antioxidantes de manganês se formam como resultado da exposição à radiação, e quanto mais se acumula, mais radiação os micróbios podem resistir.

De todos os extremófilos verificados, “Conan, a Bactéria”, foi a vencedora. Os pesquisadores descobriram que esse supermicróbio poderia absorver até 28 mil vezes mais radiação do que a taxa à qual um humano consegue sobreviver. Tal medição permitiu que os cientistas estimassem quanto tempo ela poderia sobreviver em diferentes profundidades em Marte.

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